quinta-feira, outubro 21, 2004

"Estamos aqui para cooperar com os estudantes"
(Frase utilizada pelo famoso Sargento Saraiva da GNR, no programa de rádio Bandamecos)


Faixa de Gaza ou Pinhal de Marrocos?

Nunca fui apologista de invasões de Senado para impedir votações, mesmo sabendo que seria a unica forma de protelar uma decisão injusta, como pagar uma propina anual de 880 Euros para frequentar uma Universidade Pública, financiada pelo Orçamento de Estado; sempre achei que seria mais correcto, responsável e motivo de consciência tranquila, pelo menos, haver da parte dos estudantes senadores um rotundo "não" a este valor de propinas, no entanto noutras situações em que não foi possivel a invasão do dito órgão, estes estudantes decidiram-se pela saída da reunião. É uma decisão que respeito apesar de não concordar, e respeito principalmente porque saiu de um órgão democrático da Academia - a Assembleia Magna, onde todos os estudantes da Universidade de Coimbra podem participar e votar as moções.

No entanto o que hoje se passou seria motivo de orgulho de um qualquer Rosa Casaco, ou elementos da PIDE, ou mesmo o nosso "amigo" Oliveira Salazar terá dado uma risadinha de escárnio no caixão. Porque uma pessoa com ideias de esquerda, assumidamente comunista e filiado nesse partido, tomou uma atitude prepotente, estupida e irracional, ao chamar a Policia a terrenos Universitários para permitir a reunião de Senado e impedir uma possivel invasão. Para isso a Policia estava à porta a identificar um por um os estudantes senadores, condição unica da sua entrada no órgão, como se fossem emigrantes na fila de entrada do Aeroporto, onde só alguns têm visto de entrada. Um professor da Faculdade de Direito sentiu-se humilhado na ultima greve quando os alunos lhe impediram a passagem; que dizer se esse senhor fosse abordado pela Policia, para se identificar, para poder fazer parte da reunião de um órgão democrático?

O Magnifico Reitor, com esta posição, mostrou a sua corrente stalinista de funcionamento de uma ideologia ultrapassada, sangrenta, a tentar justificar o injustificavel com a candura de rosto e ignorância de espírito. Mostrou como sabe dar a cara para criticar em belos discursos, floreados de criticas (quiçá copiados de algum alfarrábio ou cassete na sede de partido), e depois agir de forma completamente fora desse seu discurso, chamando a polícia para conter a raiva dos bandalhos dos estu(pi)dantes...

Sr. Reitor, tenha paciência e não engane mais ninguém! Não precisamos de gente da sua laia, com vómitos de moral e bons costumes que nem nos tempos da velha senhora eram utilizados. Ponha a mão na consciência (porque uma bala é pedir demais) e renda-se às evidências! A demissão não é uma palavra vã e ainda lhe dá uma restia de dignidade.

Para bem da Universidade de Coimbra, o Magnífico Reitor Fernando Seabra Santos e todos os elementos do corpo docente que fazem parte do senado deviam pintar a cara de merda, pedir a demissão para esconder a vergonha, após explicarem porque é que a Universidade de Coimbra e algumas faculdades estão na ruína e precisam da propina máxima de cada aluno para que o buraco orçamental que cavaram não alargue!


Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

2 comentários:

Patricia disse...

Olá!
Ontem fui apanhada de surpresa qd cheguei À serenata! Nem queria acreditar.Pela primeira x de que m lembro (e moro cá há mts anos, cm sabes...mais de 17) não houv a serenata. Não sei exactamente o q se passou,pk sabes q nunca ando a par dessas coisas, mas não acho justo nem estudantes agredidos nem policia no nosso polo!
Aconteceu...agora é esperar.
Tem calma, ok?
bjs

João Campos disse...

Foi uma vergonha tudo o que se passou. Um caloiro, chegado a Coimbra há duas semanas, que foi escolhido ao acaso no meio da multidão, é confrontado com uma situação destas, nojenta. Apesar de tudo, valeu a pena estar 16 horas em vigília (com uma pequena pausa para ir a casa), valeu a pena estar sem dormir há mais de 30 horas como estou agora...a união entre os estudantes valeu a pena para lutar contra o episódio mais vergonhoso da vida estudantil desde 1969.
Ao reitor: demita-se.