quarta-feira, setembro 14, 2005

Bóia

Olho para o fundo do mar à medida que a corrente me vai levando para junto da praia. Estou de barriga virada para baixo e costas ao sol. Não porque me esteja a bronzear, estou apenas morto. No meio do oceano, não sei bem aonde, apareço morto e sou levado para a costa, por vagas e ventos, e marés e ondas. O meu corpo apodrece e alimento várias espécies de animais, que se vão servindo dos restos e compondo a sua cadeia alimentar.
Não passo de plancton nesta ultima etapa de vida.
Plancton...

Espuma,
Onda,
areia...

Acordo. Afinal estou vivo.

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

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