sexta-feira, março 10, 2006

Pedagogia

Portugal tem um problema, entre muitos, gravíssimo: a pedagogia (ou falta dela). O sinal mais evidente é nos aumentos de impostos, e explico porquê:
- Os sucessivos governos deitam dinheiro fora a alimentar bolsos das suas cores partidárias, fazem negócios ruinosos, fazem reformas milionárias de vários sistemas a cada legislatura deitando milhares de milhões para o lixo. Em vez de corrigir esse problema, julgar e admoestar de forma pesada os culpados, impedir que isto volte a acontecer, faz-se o mais óbvio: aumentam-se os impostos para que todos paguem o erro que alguns fizeram;
- Há fraudes fiscais, milhões a serem roubados, seja ao trabalhador nas horas extraordinárias, nos subsidios refeição, nas facturas não passadas, impostos a não serem pagos, e falta dinheiro e excede-se o défice. Solução? Aumentar os impostos porque quem paga certo, a tempo e horas tem que corrigir o que os outros não pagam;
- Há serviços de saude que não são prestados mas sempre se fala de falsas urgências. Para não haver trabalho em explicar o que é uma falsa urgência, aumentam-se as taxas de utilização das urgências para que as pessoas pensem na carteira antes de ir ao hospital por qualquer mal estar... que pode valer a morte;
- No ensino superior aumentam-se os valores de frequencia - propina - para que quem entra na universidade pense bem se quer pagar todos os anos para ir para o desemprego. O ideal seria haver, ao longo do ensino pré-universitário, um encaminhamento dos alunos com capacidades e vocação para uma carreira superior, e os restantes para uma carreira técnica. Como não há técnicos em Portugal, e só quem frequenta o Superior é que pode ser alguém, mesmo no desemprego, começa-se a casa pelo telhado.

Pensa-se sempre em penalizar pelo bolso porque, sendo a população portuguesa de uma falta gritante de inteligência, esperteza, ou animalmente comparando, burros que nem uma porta, a melhor maneira de - pensa quem manda - cumprir as leis e as normas é fazendo pagar. Mesmo que não se explique bem porquê e para quê.

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

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