segunda-feira, novembro 08, 2004

Discurso para a próxima Assembleia Magna
(não é mas poderia ser...)

Caros colegas:
Antes de mais queria fazer um apelo aos policias à paisana e agentes do SIS: sei de fonte segura que o Reitor Fernando Seabra Santos guarda em casa uma ogiva nuclear portátil, que trouxe da ultima viagem à ex-União Soviética... ou da sede do PCP, já não me lembro... pode ter sido também quando ele jantou em Canal Caveira a ultima vez... bom, o que interessa é que se forem a correr ainda os apanham!
Não vou apresentar críticas a ninguém, somente tecer algumas opiniões. Acho que o Renato Teixeira tem aparado a barba e utilizado base da Yves Saint Laurent, o que faz dele um porco capitalista dos piores, porque usa às escondidas, como os drogados. Além disso o megafone do Baía está a ficar rouco e a palavra "Fascistas" soa a "Francesinhas". Os polícias já começaram a olhar para ele como um gourmant e para a próxima acho que é ele que vai ser detido: já não se come francesinha na PSP de Coimbra desde o Maio de 69!
Outra coisa: o pessoal do Conselho das Républicas (g'andas malucos!) não precisam de tentar que a magna seja como as vossas reuniões. Desta forma a táctica de vencer pelo cansaço não se aplica, pá, e os locais onde se fazem as magnas são tão confortáveis como os autocarros em hora de ponta! Por isso deixem-se de defesas de honra porque vós tendes é barbas e não honra, pá!
É uma seca, vêm sempre falar que os outros (fascistas, ou francesinhas, não percebi bem) vêm ao púlpito e não apresentam moções, mas vocês também não! E quando cá vêm por defesas ou questões falam falam, falam falam, e acabam por não se defender nem questionar! Então como é que é?! Ah!
Bem, quero apresentar algumas propostas, simples e de fácil realização. Não é daquelas como aqui aparecem do tipo: a DG tem de fazer um panfleto de 14 páginas para ontem, para entregar em todas as escolas secundárias, desde a Lageosa ao Catarredor, em menos tempo que a Aurora Cunha a correr a maratona.
As minhas propostas são mais sérias. Ah, já agora depois juntem o parlapié dos alunos reunidos no dia tal, às horas tal, que não me apetece. As propostas são as seguintes:
Modificar a expressão "Magnifico Reitor" por "Por favor não me espanque Reitor";
Fazer um policia em cartão, tamanho real, como as estrelas dos filmes nas apresentações, com a cara do Seabra, e um balão a dizer: identifique-se por favor. Esse boneco seria colocado às portas de todas as faculdades e departamentos;
Trocar todos os sinais de transito no acesso à alta, colocando sentidos proibidos na Padre António Vieira, no acesso pelos Arcos do Jardim, e confundir tudo e todos;
Colocar portagem na SCUT Padre António Vieira, sem via verde, a incluir no Orçamento da Universidade;
Aprovação da Propina Estacionamento nos parques de estacionamento da Universidade e Faculdades, por um valor irrisório de 880 euros/ano: afinal o parque do São Jerónimo leva mais carros do que alunos em muitas salas;
Uso massivo dos SMTUC pelos estudantes para mostrarmos que o sistema está bloqueado, é caro, tarda e falha - e que é menos confortável que as salas do Conselho de Républicas;
Baptizarmos as esferas no cimo das monumentais como "Monumento Seabra Santos, o Reitor com tomates" e depositar lá coroas de flores todos os dias 25 de cada mês;
Festejar o dia do professor trabalhador no 1 de Maio, distribuindo narizes de palhaço vermelhos e barbas à Seabra Santos.

Acho que é suficiente!


Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

quinta-feira, novembro 04, 2004

Vamos por partes...

Eleições americanas e a vitória do W:
Não me espantou muito que tivesse acontecido, acho que já era esperado por grande parte do mundo. Kerry não era grande candidato e toda a gente o sabia; para além disso W. é uma pessoa de força e convicções, mesmo quando não são as melhores... e aquela frase que ele profere aquando do 11 de Setembro "I want to kick some ass" é tipicamente americana, e quase todo o cidadão do mundo a profere quando chega a um tal ponto de raiva, que só destruindo alguma coisa se sente bem.
Não gosto de diminuir um povo e há povos mais burros. Porém os estados que votaram massivamente em W. são estados em que a maioria é como ele: fanática religiosa, pouco interessados no mundo e nas relações internacionais, interessados com o seu cantinho e com a sua riqueza, com medo de perseguição, e que preferem bater em quem aparece antes de perguntar se são culpados.
Medo tenho é do que ele disse no discurso de vitória: queria que o mandato dele fosse virado para a familia, a moral e a fé... problema é que a fé e moral dos outros não será propriamente a dele. Irá sujeitar os outros à força de balas?

Contestação estudantil e Senado:
Neste momento, em Lisboa, está a haver uma manifestação de estudantes de várias universidades. O motivo: a actual legislação de financiamento de universidades, de funcionamento e autonomia universitária, entre outras. É imperioso que os estudantes estejam bem representado, o que - tirando a AAC - não me parece ser bem o caso. O facto de serem entregues avisos por polícias à paisana em várias associações de estudantes também não ajuda nada e abre um clima da democracia 30 anos depois do 25 de Abril.
Mas há outros assuntos internos que me levam a pensar: disse-se que a Latada deveria ter sido adiada por causa do que aconteceu; porém muitos que eram favoráveis a isso estiveram no recinto a divertir-se; muitos que eram favoráveis a isso não deixaram de sair à noite noutros locais da cidade. Fala-se, e foi aprovado em Assembleia Magna, um pedido ao Conselho de Veteranos para que este órgão pondere a não realização da Queima das Fitas 2005. Eu acho estranho e de uma desfaçatez! Reparem: é destas festas que a AAC vai buscar muitos dos fundos desbloqueados para os protestos e para alimentar as diversas secções culturais e desportivas; a AAC é uma associação multi-cultural e não apenas política; as pessoas não deixam de festejar ou de sair à noite e gastar tanto ou mais do que na Queima e Latada, e ainda pior, estão a dar dinheiro a empresários da noite que nos tratam como numeros... por outro lado, é preciso ter LATA porque nas vésperas de greves à porta fechada e manifs o panorama nocturno é este: A ABARROTAR! Por isso qual é a ideia? Mostrar à sociedade civil que dispensamos uma festa da Academia? Para quê mostrar isso se depois se invadem senados e aberturas solenes, se fecha a cadeados? Que impressão passa para a sociedade civil?
Além do mais há quem vá a Lisboa manifestar-se e fique lá para a noite, só voltando no outro dia, ou mesmo indo de fim de semana... então na Latada não havia clima para se festejar e agora já há?!
Para terminar: sobre o senado! O Reitor já mostrou a sua verdadeira face, agora pouco a pouco vai conseguindo mudar o pouco para o tudo continuar na mesma. De que falo? Conseguiu aprovar a propina máxima à pancada e impedindo os estudantes de mostrarem o seu direito à indignação; pediu que fosse revisto o mais depressa possivel o plano disciplinar para alunos universitários, e no ultimo senado aprovou-se o plano de avaliação dos funcionários. Para quando um plano de avaliação dos professores? De formações pedagógicas a professores? Calendarização de entrega de notas por parte dos professores, com punições caso não fossem entregues a tempo?
Pelos vistos só os estudantes e funcionários estão mal na universidade, e o corpo docente é o unico a caminhar na melhor direcção.
Sr. Reitor e equipa: é preciso ter MUITA LATA!

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

terça-feira, novembro 02, 2004

11 de Março 2004
Paris, 8h da manhã

O rádio despertador toca em modo rádio, sintonizado na rádio Alfa. Acordo e olho para o relógio para ver as horas: 8:30. Como muitos eu adianto 30 minutos o relógio despertador para, quando tocar, achar que estou atrasado e assim não passo mais tempo na cama... pura mentira!, porque fui eu que o fiz propositadamente e sei o que fiz.
Ainda meio a dormir começo a ouvir com clareza o que transmitem: o noticiário das 8h. É dificil perceber porque falam na hipótese de um atentado, falam de uma estação de comboios, falam de Madrid.
Levanto-me e vou tomar um duche, preciso de ir para a escola. Enquanto me visto a seguir ao duche, ouço o noticiário das 8:30 e percebo o que aconteceu: em Madrid, nas primeiras horas da manhã, houve um atentado numa estação de comboios. Ainda não se sabe muito bem, mas parece que várias composições explodiram e tudo indica que foi um atentado bombista. Fico um pouco estupido com aquilo: atentado bombista numa estação? Pessoas que se deslocam para os seus trabalhos, tal como eu o vou fazer daqui a uns momentos...
Saio da residência e atravesso a Cité Universitaire ainda a pensar naquilo. O dia está meio nublado mas o sol desponta por entre núvens negras; o chão ainda está meio molhado do aguaceiro nocturno, coisa que tem acontecido todos os dias. Passo a entrada da Cité Universitaire, atravesso a estrada em direcção à estação de RER (Réseau Express Régionale, uma espécie de comboio suburbano), e corro para apanhar o RER-B até à próxima estação: Denfert Rochereau. Apesar de não ter medo de sair à rua, apesar de ter ouvido que já aconteceu algo parecido em Paris, vejo que a população está serena; possivelmente muitos ainda nem sabem o que aconteceu, mas a pressa é a mesma dos outros dias, e não há sinal de tristeza, de medo ou inconformismo. Chego a Denfert e dirijo-me à linha 6 do metro: mais 3 estações e estou no destino - Place d'Italie!
Apesar de estar aqui à cerca de duas semanas ainda preciso de recorrer ao mapa de linhas do metro: a rede é muito extensa e eu tenho que estar na escola às 9:00, por isso não me quero enganar. Logo de manhã, nas estações de metro como no RER passam milhares de pessoas, sempre apressadas a correr nas escadas rolantes, corredores, etc. Lembro-me que, quando decidi fazer um periodo de estudos no estrangeiro, no Programa Erasmus, a minha primeira decisão era ir para a Suécia, porém aí já não havia vagas e virei-me para Madrid... a ultima escolha era Paris... Madrid, interessante!
Ao chegar à escola, ainda sem trabalho especifico por fazer (ainda não tinha seminário atribuido), fui aos computadores ver as ultimas noticias, tanto dos jornais portugueses como dos franceses. O primeiro ministro espanhol, José Maria Aznar, atribuia, sem qualquer dúvida, aquele horrifico acontecimento à ETA. Sorrio na minha ignorância... como tenho algum interesse pelo País Basco (mais pela língua) já li alguns livros sobre a luta dos bascos à autodeterminação e sei que este não é o método da ETA: eles fazem assassinios seleccionados a politicos, gente importante ou influente, e raramente matam civis indiscrimindamente e às centenas. Porém nunca se sabe... mas fez-me lembrar aquele dia 11 de Setembro, em que estava a ver televisão às 14h e vejo o segundo avião a embater nas torres do WTC... semelhanças? Muitas... só que aí não eram Bascos mas Fundamentalistas Árabes.
Li que o governo Francês levantou o plano Vigiprate com receio de retaliações de que já foram alvo no passado. Este plano, uma espécie de plano de emergência, funciona com cores, e começa neste momento no mais grave: vermelho. Assim, sempre que seja pedido em qualquer local do estado, na rua, transportes, a nossa identificação, temos de apresentar. Podemos, também, ser revistados se nos acharem suspeitos.
Quando fui almoçar à residência já notei diferenças nas estações de metro e RER: vários avisos nos altifalantes para que as pessoas tenham atenção às malas e que avisem caso detectem alguma abandonada; vê-se "policia" com a farda da RATP (empresa de transportes de Paris), parecidos com a nossa policia de intervenção, com pistola e cacete, a patrulhar as estações, a entrar nos transportes e fazer viagem até à estação seguinte.
Durante o resto do dia notei que na rua havia mais policias, nunca sozinhos, e cheguei a assistir a algumas pessoas a serem revistadas: mais grupos de jovens com aquele estilo chamado "dred", ou com aspecto de muçulmanos, ou pretos. Não vi um branco a ser revistado, tirando esses miudos em "gang" vestidos à "dred". Por um lado fiquei aliviado porque não seria considerado suspeito, mesmo transportando uma mochila preta com o simbolo da AAC (que para eles é esquisito).
À ida para casa comecei a pensar no que eles consideram como suspeito. Pode ser qualquer um, mesmo eu. Posso ter a barba por fazer e ser mais maltrapilho, ou posso estar imaculado; será que são só os muçulmanos que são suspeitos? E como se distingue um etarra? Tenho dois colegas Erasmus de Bilbau - o Iñigo e o Fernando - será que são suspeitos?
Chego à residência e o meu colega do quarto em frente pergunta-me se sei as noticias. Ele estava com um ar chocado. Fouhad, marroquino e muçulmano de religião. Rapaz simpático, baixo, de óculos e ar inteligente. Disse que sim e também estava chocado; perguntei-lhe se já se sabia quem tinha feito aquilo e ele disse que tinha sido um grupo muçulmano... fiquei um pouco inibido pela forma como ele disse aquilo porque notou-se o choque dele pelo acto cometido e não um orgulho, ou uma defesa dos interesses islamicos. Convidei-o a beber um Porto, que tinha, sábiamente, levado na mala, e ele recusou cordialmente: não bebia, era contra a religião dele.
Voltei a pensar na questão dos suspeitos: como é que se pode olhar os muçulmanos todos pela mesma bitola? Como se pode pensar que uma cidade como Paris, com (arrisco dizer) um milhar de habitantes muçulmanos possa ser alvo de ataques terroristas daquele género, cometidos por pessoas tão simples como o Fouhad?
O que mais me choca nesta história toda é haver grupos de pressão islâmicos que fazem actos bárbaros deste tipo como que a castigar o ocidente e toda a sua tecnologia, da qual eles utilizam para matar em vez de fazer o bem. Dessa forma só conseguem fazer com que muitos indiferentes e anónimos virem o seu ódio contra uma comunidade pacífica, simpática, aberta e acolhedora, como são os muçulmanos. Estes, sem qualquer culpa, são mal vistos por todos, são vistos como pólos terroristas... piores que pessoas com doenças contagiosas.
É este o mundo em que vivemos! Até vir embora para Portugal, por algumas vezes fui evacuado do metro, estive em estações próximas a outras onde havia malas abandonadas. Nunca tive medo, é inevitável. Com medo não se sai de casa, e mesmo aí podem acontecer acidentes; só os que não morreram em Atocha ou em New York é que se aperceberam, e ficarão para sempre marcados, pelos atentados. Esses sim ficarão sempre com medo; quem morreu nem sequer soube que foi vitima de uns imbecis que usam a religião para os seus propósitos pessoais. A população em geral continua a sua vida: não é por morrer uma formiga que a colónia deixa de trabalhar...

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

sexta-feira, outubro 29, 2004

ECLIPSE

Aguardo ansioso por ver-te, ó lua cheia, motivo de amores e imagem de divindades. De ti espero a luz que ilumina o mundo na obscura noite.
Hoje é um dia especial: vais fugir de mim, colocar-te temporáriamente nas trevas, para voltares calma e resplandescente ao teu lugar original - a olhar-me, a iluminar-me, a deixares-te adorar por este ser minusculo que por ti se enamorou.
Como és bela! Notam-se, ao olhar com atenção, que em ti se vêem marcas temporais de um passado dificil, qual mulher lutando pela sua reviravolta social; as cicatrizes que mostras orgulhosamente são marcas de periodos de lutas conturbadas, de formação, de afirmação.
Começas a desaparecer lentamente no céu nocturno. A Terra, planeta invejoso mas onde sobrevivo, impede-me de continuar esta paixão platónica, este amor longinquo, que abordo com ansiedade pela distância, mas também calmo porque sei que o teu amor é recíproco. Ver-te partir é um encobrir do mundo no escuro da morte, na ilusão aparente que tudo o que era visivel e seguro é agora um grande bando de fantasmas negros que atacam no negro da noite.
Encobre-se o céu - acontece aquilo que eu temia! Não vou poder ver o teu aparecimento fulgurante, o teu renascer de uma morte fingida e não vislumbrada. Vais sentir-te morta pela minha falta de atenção, pelo meu amor vazio, que só se demonstra nestes momentos.
Entristeço. Sinto dor. Sofro. Porque nunca mais te vou ver. Porque nunca mais te vou poder conhecer e tocar. Porque nunca mais me vais deixar cortejar-te como bom admirador. Porque falhei e não admites falhas. Choro...
Com as minhas lágrimas de tristeza profunda abre-se um precedente: ouves-me ao longe quando ainda espreitas por uma fresta! Ouves o pingo caído, ouves o soluço verdadeiro, vês o manto fingido que encobre a presença de ambos. Aí moves montanhas e mundos, abres tempestades e marés e nuvéns e sofrimentos e tristezas! Rompes o manto de núvens.
De olhos ainda marejados não observo o teu esforço colossal. Mas percebo, com uma alegria que em mim começa a despontar, que me iluminas mais forte que nunca. Como um holofote de glória para mim dirigido! A alegria transborda, e ainda com os ultimos restos de mar a escorrer-me pela face, esboço um sorriso, o coração quase que sai do peito, a respiração aumenta!
Voltaste para mim; voltaste para iluminar!
É assim que vejo um eclipse lunar - uma história entre dois apaixonados que não se deixam vencer pelas dificuldades constantes do amor e da vida.
Obrigado Luna!

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

quinta-feira, outubro 28, 2004

Na impossibilidade pessoal de escrever alguma coisa de minha autoria, qualquer que fosse o conteudo, recebi hoje por e-mail este texto. Como achava interessante distribuir mas estou com dificuldades em enviar, decidi publicá-lo no meu blog: não só enriquece este espaço com algo de belo e muito bem escrito (a que nunca vou conseguir atingir tal estado), como enriquece cada um que ler e sentir o que leu.
Prometo voltar com posts de minha autoria brevemente!
A todas e todos os leitores,
beijos e abraços.
Paulo Aroso Campos

Dar ou amar?
(Luís Fernando Veríssimo)

"Dar não é fazer amor. Dar é dar.
Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido.
Mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca...
Te chama de nomes que eu não escreveria...
Não te vira com delicadeza...
Não sente vergonha de ritmos animais.
Dar é bom.
Melhor do que dar... só dar por dar.
Dar sem querer casar....
Sem querer apresentar pra mãe...
Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.
Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral...
Te amolece o gingado...
Te molha o instinto.
Dar porque a vida é estressante e dar relaxa.
Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã.
Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito.
Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar ouvir futuro.
Dar é bom, na hora.
Durante um mês.
Para os mais desavisados, talvez anos.
Mas dar é dar demais e ficar vazio. >Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir.
É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar primeiro abraço de Ano Novo e pra falar: "Que que cê acha amor?".
É não ter companhia garantida para viajar.
É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia.
Dar é não querer dormir encaixadinho...
É não ter alguém para ouvir seus dengos...
Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.
Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, >uma chance ao amor.
Esse sim é o maior tesão. Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar
Experimente ser amado..."

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

domingo, outubro 24, 2004

Perdoem-me o egoismo de recorrer a uma musica francesa para este post, mas esta é genial

Zoé - Luke

ne te blesse que d'air pur
couvre-toi d'étincelles
zoe,
trace donc le trait qui rassure
et que ta ligne soit belle
zoe,

tes amours
sont des légendes
que désapprouve
ton ange
ton ange

n'étreins qu'en morsures
les seigneurs de la guerre
zoe,
fait suinter leur armure
qu'ils y voient de l'univers
zoe

tes amours
sont des légendes
que désapprouve
ton ange
ton ange




Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

quinta-feira, outubro 21, 2004

"Estamos aqui para cooperar com os estudantes"
(Frase utilizada pelo famoso Sargento Saraiva da GNR, no programa de rádio Bandamecos)


Faixa de Gaza ou Pinhal de Marrocos?

Nunca fui apologista de invasões de Senado para impedir votações, mesmo sabendo que seria a unica forma de protelar uma decisão injusta, como pagar uma propina anual de 880 Euros para frequentar uma Universidade Pública, financiada pelo Orçamento de Estado; sempre achei que seria mais correcto, responsável e motivo de consciência tranquila, pelo menos, haver da parte dos estudantes senadores um rotundo "não" a este valor de propinas, no entanto noutras situações em que não foi possivel a invasão do dito órgão, estes estudantes decidiram-se pela saída da reunião. É uma decisão que respeito apesar de não concordar, e respeito principalmente porque saiu de um órgão democrático da Academia - a Assembleia Magna, onde todos os estudantes da Universidade de Coimbra podem participar e votar as moções.

No entanto o que hoje se passou seria motivo de orgulho de um qualquer Rosa Casaco, ou elementos da PIDE, ou mesmo o nosso "amigo" Oliveira Salazar terá dado uma risadinha de escárnio no caixão. Porque uma pessoa com ideias de esquerda, assumidamente comunista e filiado nesse partido, tomou uma atitude prepotente, estupida e irracional, ao chamar a Policia a terrenos Universitários para permitir a reunião de Senado e impedir uma possivel invasão. Para isso a Policia estava à porta a identificar um por um os estudantes senadores, condição unica da sua entrada no órgão, como se fossem emigrantes na fila de entrada do Aeroporto, onde só alguns têm visto de entrada. Um professor da Faculdade de Direito sentiu-se humilhado na ultima greve quando os alunos lhe impediram a passagem; que dizer se esse senhor fosse abordado pela Policia, para se identificar, para poder fazer parte da reunião de um órgão democrático?

O Magnifico Reitor, com esta posição, mostrou a sua corrente stalinista de funcionamento de uma ideologia ultrapassada, sangrenta, a tentar justificar o injustificavel com a candura de rosto e ignorância de espírito. Mostrou como sabe dar a cara para criticar em belos discursos, floreados de criticas (quiçá copiados de algum alfarrábio ou cassete na sede de partido), e depois agir de forma completamente fora desse seu discurso, chamando a polícia para conter a raiva dos bandalhos dos estu(pi)dantes...

Sr. Reitor, tenha paciência e não engane mais ninguém! Não precisamos de gente da sua laia, com vómitos de moral e bons costumes que nem nos tempos da velha senhora eram utilizados. Ponha a mão na consciência (porque uma bala é pedir demais) e renda-se às evidências! A demissão não é uma palavra vã e ainda lhe dá uma restia de dignidade.

Para bem da Universidade de Coimbra, o Magnífico Reitor Fernando Seabra Santos e todos os elementos do corpo docente que fazem parte do senado deviam pintar a cara de merda, pedir a demissão para esconder a vergonha, após explicarem porque é que a Universidade de Coimbra e algumas faculdades estão na ruína e precisam da propina máxima de cada aluno para que o buraco orçamental que cavaram não alargue!


Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

quinta-feira, outubro 14, 2004

Teoria do caos, e repercussões...

... ou uma opinião sobre a Abertura Solene na Universidade de Coimbra.

"Renato Teixeira assume que este grupo adopta "uma táctica de desobediência civil de modo a fazer com que o Governo caia o mais rapidamente possível"."
in Diário As Beiras, 14 Outubro 2004

A famosa teoria do caos postula algo parecido com isto: o bater de asas de uma borboleta na Florida está directamente ligado ao aparecimento de um tufão no Japão. Com esta declaração de Renato Teixeira durante a invasão na abertura solene, vejo que este criativo do Conselho das Républicas conseguiu mais um passo para a concretização desta teoria. Veja-se: desobediência civil para fazer cair Governos! Invasão de uma abertura solene da Universidade de Coimbra! Já ouço o bruá da populaça!
Medo! Dor!... pena...

Desde que entrei na Universidade, no longinquo ano de 96, ainda com a Zita Henriques nos destinos da AAC, a luta contra as propinas já estava num movimento descendente, mas ainda estava quente. Nessa altura o Conselho das Républicas era um conjunto de pessoas que admirava porque, além de representarem algo nobre como as républicas - que se destacam pelo companheirismo, democracia, integração, tertulia, respeito (sejam pela ou contra a praxe) - apresentavam-se sempre em Assembleias Magnas bem informados, com uma certa dose de ironia e critica bem estruturada, por vezes de forma abrupta diziam as verdades que ninguém gostava de ouvir, apresentavam a ferida e tocavam sem qualquer preconceito ou medo. Desses manifestos, sempre mostrados por um deles, saiam sempre propostas ou moções, mais radicais do que as da DG, como é normal, mas sempre possiveis de fazer e com aquela ponta de irreverência e imaginação que sempre caracterizou os alunos de Coimbra.
Neste momento, com a extinção do Colectivo Ruptura, o Conselho das Républicas cumpre um excelente papel na divulgação das Magnas e atrai algum do seu público, sempre interventivo e com incentivos a que os mais novos se expressem no palanque.

Mas... há sempre um mas... neste momento lamento dizer, mas a irreverência que antes caracterizava, tornou-se amargura, fel. Um ódio que passa por cada palavra de cada elemento que toma a palavra; um radicalismo exacerbado que eles mostram com opulência, como que para ridicularizar os quantos que são mais certinhos. Sem qualquer humildade, eles põem na boca dos outros as suas palavras e desprezam opiniões que são opostas das suas; não têm pejo em apelidar de fascistas quem eles não concordam, e dão sempre o mote das palmas/apupos sempre que acham isso necessário.
Depois das fantochadas e palhaçadas em Magnas, em que gostam de acusar os outros de não terem quaisquer ideias, de umas quantas defesas de honra e protestos para quem não gostam da opiniõa, amansam a multidão e dizem aquilo que a maioria quer ouvir. Nos discursos, além de citações, também não se vislumbram muitas ideias ou moções: só opiniões, tal como os que eles criticam.
Para o fim, e em apoteose, Renato Teixeira, líder, vem apresentar as propostas do grupo, ou dele. Muitas já vêm de cassetes anteriores, que parece que nem sequer foram actualizadas, excepção feita no seu discurso. O resultado, seja ele qual for, é aquele que já começamos a estar habituados: mesmo que não seja aprovado o que eles propõem, eles tratam de fazer na mesma, como que demonstrando que não precisam das Magnas para nada porque, afinal, a unica palavra que eles conhecem é RADICAL. Ah, não, também conhecem LUTA! Com todos os meios possiveis e imaginários.
Não considero o que eles fizeram na Abertura Solene como desobediência civil: foi antes uma acção desesperada de alguém que quer protagonismo, que quer sobressair da multidão. A mim já tinha sobressaido nas primeiras exortações que ele fez num Fórum do Luso, onde estive presente. Onde admirei a forma irreverente como ele falou, e como mostrou estar bem preparado e bem informado; onde ouviu calmamente quando lhe fui apontar um erro, e ele agradeceu cordialmente. Admirei todo o trabalho que eles tiveram, pela noite dentro, para apresentarem propostas, além da DG.
Não se trata de um ataque pessoal, somente uma opinião geral de um acto ocorrido. Que não gostei, e que vai provocar, certamente, represálias do corpo docente, seja em Senado, Assembleia da Universidade, seja onde for. Órgãos que podemos colocar a nosso favor, mas que temos colocado contra nós, numa perspectiva de luta derrotista à partida, onde perdemos toda a nossa razão, ao querermos chocar com as nossas acções. Tal como acontece com os fundamentalistas iraquianos, que divulgam as imagens das decapitações para chocar, só faz com que a raiva seja maior contra eles e que seja impossivel uma solução pacifica, responsável. Neste caso acho que se está a optar por uma fundamentalização em que ninguém ganha, e que vai abrir ainda mais fracturas no depauperado movimento estudantil (já houve um pedido da Reitoria para que a DG/AAC se demarcasse daquele acontecimento).

O momento é de reflexão: afinal para que servem as Magnas, se os elementos mais interventivos cada vez permitem menos opiniões e acabam por agir a seu bel-prazer e sem terem o acordo dos estudantes que ali se deslocam?

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

quarta-feira, outubro 13, 2004

Cara lavada...

Já era tempo de alterar o visual do meu blog. O outro estava muito carregado, chato, cansativo. Por mais que escrevesse lá, por mais imaginação ou irreverência ou mau feitio que demonstrasse, aquela visão já não se adequava à minha forma de ser e de estar. As opiniões continuam a ser as mesmas, ou escritas da mesma forma, bem como os textos mais criativos - inclusivé quero voltar a um campo que já não toco há muito: poesia própria! - com a inspiração certa tudo se consegue e agrada a uma maioria.
O que vou tentar, daqui para a frente, é actualizar pelo menos semanalmente este blog, seja com uma notícia, uma anedota, um batanete, ou simplesmente uma mulher nua... o quê? Fora de questão?! Porquê?!!... ok, sem nudez, mas não falo se fui ou não pressionado.
Ainda não sei bem como funcionam os comentários ou se o marcador de visitas funcionam bem, mas também era tão pouca gente a comentar, menos do que eu pensava, que por vezes dava vontade de nem sequer escrever. Acontece que ultimamente tenho tido comentários bons de gente boa, pelo que gostaria que essas pessoas, ou outras que queiram comentar os artigos escritos, ou o funcionamento, ou algum aspecto do blog, o façam à vontade (mail: paulo.aroso@zmail.pt).
Continuarei, com todas as minhas forças (ou assim o espero) a ser o mesmo espirito critico, a demonstrar um bom humor (entre o negro, o cáustico e o sarcástico), e a indignar-me sempre que seja caso disso.

A todas as leitoras e leitores, que adorava que me enviassem um feed-back (comentário) a este post (pode ser anónimo ou com nomes estupidos), o meu mais sincero muito obrigado!

Cumprimentos e
Saudações Académicas!
Paulo

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

sábado, outubro 09, 2004

Deitas a cabeça no meu colo...

... e pedes-me um carinho. Não é a primeira vez que vens ter comigo assim, carente, em sofrimento, triste. De todas as vezes engulo em seco, faço meu o teu sofrimento, e acolho-te como se fosses uma parte de mim, no meu colo. Onde deitas a cabeça e choras. Onde te recolhes e choras e dormes.
Massajo-te o couro cabeludo com carinho e dedicação, como se estivesse a fazer algo científico, algo de costume, que faço já há muitos anos; empenho-me em fazer-te sentir acarinhada, desejada, calma, descontraída, relaxada.
Enfim adormeces, cara de anjo. Contemplo-te com a tua expressão inocente, os teus cabelos longos e lisos em desalinho em cima de mim, as minhas mãos a percorrerem num pentear/despentear constante. Imagino o que possa fazer sofrer uma alma que disso não precisa, que só luta para ser feliz num mundo bárbaro, onde nem tudo o que parece é, e onde a felicidade pode estar muito mais perto do que ela pensa; ou pode não estar...
Olho-te os olhos fechados, silenciosos, calmos. Em descanso, em paz, penso. Vejo os lábios - aqueles mesmos que escrevem aquele sorriso maravilhoso que me activa o coração - e beijo-os com carinho e compaixão, num olhar imaginativo e introspectivo que nunca seria capaz de repetir na realidade - "qualquer dia ela descobre este segredo, esta paixão escondida... o meu destino"

"Fazia-te tão feliz, se me amasses..." é o que todos os apaixonados pensam de quem sofre e não nos ama como nós desejariamos; "eu amo-te e faço-te feliz, pelo menos nesse sono calmo..." é o que vemos e imaginamos, no mais intimo e puro das nossas capacidades inconscientes, enquanto gravamos aquele momento feliz. O momento em que ela nos procura, triste, e que transformamos, naquele segundo, aquela insegurança miserável e sofredora num estado calmo de descanso apaixonado.

Amor, virtual, real, amor... tudo palavras. Qual delas verdade real, qual delas verdade virtual...

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

sexta-feira, outubro 08, 2004

Sobre as Leis de Murphy

Acontece que ontem pude experimentar na prática a veracidade das Leis de Murphy, com uma pequena variação. Para quem não conhece estas famosas leis, elas postulam que as coisas acontecem sempre pelo pior lado, ou seja, o caso de uma torrada com manteiga: cai no chão sempre do lado da manteiga!
Ontem, por altura da Noite dos Horários da Faculdade de Economia, que decorreu no Pavilhão dos Olivais, submeti-me a uma experiência inovadora e unica no panorama nacional: como fui para lá sózinho, mas sabendo que lá estava gente (o meu irmão caçula, por exemplo, podendo ainda encontrar outras pessoas - como a ex-presidente de núcleo mais sexy da AAC, hehehehehehe) comprei umas senhas de cerveja e fui circulando pelo pavilhão. Ao chegar à ultima senha pensei: agora é que vou encontrar as pessoas conhecidas!
Mal o pensei melhor aconteceu: se até ali tinha encontrado algumas pessoas, esporádicamente, conhecidos, após estar com a "ultima" cerveja na mão encontro logo (e solitário) o Pedro do Bossa... começamos a combinar ir comprar mais umas senhas quando aparece o mano caçula, e que estava bem acompanhado pelos seus colegas da secção de jornalismo da AAC!
É claro que isto é uma experiência que pode não ter decorrido nas condições padrão, ou nem querer dizer nada... mas em vários casos, como na maioria das festas e celebrações, acontecem sempre coisas dignas das leis de Murphy: nunca encontrarmos quem procuramos, só encontrarmos pessoas conhecidas quando estamos para ir embora... coisas desse género!

Por outro lado, ainda durante o meu Erasmus em Paris, já tinha pensado neste pormenor, e em como estas Leis seriam muito bem aplicadas na Constituição Portuguesa. Observem bem: o português é rei do desenrasque, só está bem a transgredir (fugir a impostos, conduzir com alcool, estacionar onde não deve, não pagar o que deve, endividar-se com o que tem e não tem, arranjar todo o tipo de subterfugios para ter menos cobranças e mais retorno...). As Leis de Murphy aplicadas à nossa constituição e a alguma legislação seriam o arranque para tornar Portugal o país mais liberal, mais desenvolvido, mais rico e mais tudo da Europa, do Mundo, do Universo!

Ou então não... (Lei de Murphy do contraditório, de autoria própria)


Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

quarta-feira, outubro 06, 2004

Sobre a "Quinta das Celebridades"...

Não é, de todo, um programa que me interesse. Não sei, tão pouco, todos os intervenientes nesse programa a que não acho graça alguma - tal como big brothers e afins... porém hoje à hora de almoço estive a apreciar alguns minutos desse programa num resumo transmitido na TVI.
Como não podia deixar de ser, a TVI tratou de contratar pessoas mais ou menos célebres, e algumas polémicas, como o actor (porno) brasileiro Alexandre Frota, e aquele ser abjecto e "estiloso-tão-paneleiro" que é o José Castelo Branco - noutros países, como em França, também tentaram contratar um actor porno, no caso o conceituado Rocco Sigfredi, mas não conseguiram.
Olho para esse actor brasileiro com um misto de inveja e de admiração. Inveja porque ele foi namorado (ou marido) da actriz Cláudia Raia, que é uma deusa em carne e osso; inveja porque ele contracenou com as mais belas e conceituadas actrizes brasileiras, tendo mesmo papéis amorosos com elas; inveja porque fez filmes porno nesse grande mercado de mulher bonita e "gostosa" que é o Brasil... admiração porque teve a coragem de entrar num programa de televisão que é uma porcaria pegada, com pessoas de baixo nível e que querem somente um pouco de notoriedade pelas razões mais distintas; admiração porque eu, e mais umas quantas pessoas neste país, não seriam capazes de entrar para um concurso/programa de TV onde estivesse esse ser que a Tia Cinha oportunamente apelidou de Castelinha. Nem por todo o dinheiro do mundo!

Contemplo com algum escárnio a cara com que o brutamontes Frota acorda extremunhado com o ressonar animalesco do finissimo e gay Castelinha, e olha para ele num misto de raiva e estupefacção, como que a dizer: "como é que este Zé Merdas, que anda para ai a gabar-se da sua finesse, dos locais onde vive, do que conhece, da sua pobre figura em fio dental, e da sua pose fingida, pode ser tão ou mais animal que muitos animais durante o seu sono?".

Ainda acho arriscado a TVI ter colocado esta pobre figura, que nem sabe bem qual é o seu sexo, junto com tantos animais. A bestialidade é uma coisa horrorosa...

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

domingo, outubro 03, 2004

Para acrescentar...

Já não actualizo o meu blog há muito tempo, tempo demais até, o que pode fazer pensar às pessoas que costumam consultar que já não ligo, ou não tenho a mesma disposição para a escrita, crítica, enfim: o que me propus com a criação deste espaço.
Não é esse o caso! Nos ultimos tempos tenho balançado um pouco entre a volta à escrita creativa de uma forma mais consistente, ou a actualização de factos, dando a minha opinião pessoal como já fiz em determinados assuntos; fiquei também pensativo relativamente à actualização com um texto satírico, com veia humoristica, sobre as assembleias magnas da AAC, ou o corrente periodo das universidades. Mas mantive-me calado, e porquê?
Ultimamente aconteceram casos, noticias, que me têm deixado um pouco triste, e que vou enumerar sem comentar:
  • o caso da menina supostamente assassinada próximo de Portimão;
  • a forma como o povo se comportou, a ir em romaria ao local como se vai a Fátima;
  • como as pessoas se apresentam preparadas para fazer justiça pelas próprias mãos atendendo a factos não provados e não consumados;
  • como os ministros tratam o comum cidadão por um lado, e os administradores por outro: para uns sacrificio, para outros reformas do Euro-Milhões;
  • a bandalheira politica em que flutua este país, com o chamar das camisolas pelos partidos, como se a escolha não devesse ser consciente, mas sim pela cor da camisola que dá mais a cada um;
  • a forma mesquinha e proibida como uma ministra foge com o rabo entre as pernas de um encontro com estudantes universitários, levando o motorista a fazer uma contra-ordenação grave (não sancionada);
  • como os professores e responsáveis de departamentos lambem o cú dos ministros, procurando maior apoio para as suas actividades, nem pensando naqueles que os sustentam - alunos directamente, e pais indirectamente - muitos deles em grande dificuldade de terminar os cursos;
  • a forma estupida de aproveitamento popular que tem sido dado às SCUT's: foi uma má medida de um mau ministro de um mau governo, que pôs em causa orçamentos de futuros governos mesmo se fossem do próprio partido... porquê defender?;
  • como todas as incongruências, imbecilidades, estupidez, corrupções, favorecimentos, etc., se esquecem quando se chama o "sistema" do futebol e se procuram males, quando o mal está na sociedade;
  • internamente, como ainda há um grupo de estudantes, estes sim parados no tempo e ignóbeis, que usam as assembleias magnas da mesma forma que os árabes usam o corão para matar, e espalham a sua intolerancia populista junto de mais uns quantos inconformados... simplesmente porque podem, têm familias com posses, e costas largas... desobediencia civil, sr. Renato Teixeira?! O que pensas fazer que O PORTUGUÊS NORMAL NÃO FAÇA NO SEU DIA A DIA?!

Disse que não ia comentar e acabei por fazê-lo. Os brasileiros, a braços com problemas de identidade, tal como nós, têm uma excelente expressão para isto: um cházinho de semancol (da frase: vê se te manca, ou tipo, tomem juizo!).

É que, sinceramente! Dá vontade de dizer: "Foda-se, assim não dá!!!".

Ao menos temos "O Gato Fedorento" para nos animar, e tal...; perdoem-me pela linguagem.


Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

sábado, setembro 25, 2004

Coloco aqui este excelente poema de autoria de Manuel Alegre, musicado por António Portugal e cantado por Adriano Correia de Oliveira, essa voz magnífica do Fado de Coimbra. Tem uma razão de ser: ao chegar a casa do trabalho, estava a dar um programa de tv (na 2) com vários intérpretes, nem todos do fado, e que cantaram várias musicas, desde Zeca Afonso e esta, entre outros. Esta foi e é especial: não só é um belo fado, com as vozes de sereia da guitarra de Coimbra, melódica e bela e apaixonada, como também foi um fado que ouvi na minha estadia em Paris, na Rádio Alfa, e que me emocionou bastante, ao ponto de ficar arrepiado, de cantar em conjunto e de terminar o fado alagado em lágrimas: de emoção, de alegria por estar tão longe e tão perto de casa, de saudades de todos quantos estavam longe de mim mas que estavam, naquela musica, tão perto do meu coração.
A música tem várias virtudes, uma delas é ser um elemento de comunicação, que tal como as cartas, leva sentimentos e emoções nas palavras dos outros. Estas palavras bonitas, que falam subtilmente de um tempo dificil para todos os portugueses, em que a Liberdade não existia, demonstram todo o amor que temos pelo país, pelas pessoas, pela cultura, mas que sempre o esquecemos nem sempre por valores mais altos.
Deixo-vos as palavras, e se puderem acompanhem com a musica.

Trova do Vento que passa (Letra: Manuel Alegre/Música: António Portugal)

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio - é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo
.
Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo
.
Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

quarta-feira, setembro 15, 2004

Inspiração repentina, e volto à escrita creativa...

Não sei bem o que foi, possivelmente um anjo passou e deixou-me este pedaço de creatividade. Algo que não posso deixar de publicar, afinal não é todos os dias que a Musa me chama e me inspira!
Obrigado Musa, espero que gostes! ;)

Trânsito - parados no meio da confusão da cidade; cinzento - núvens que trazem um aguaceiro irritante; vento - ligeiro mas que muda a direcção da chuva, e molha propositadamente, gozando com a minha cara...
Fecho os olhos e vejo muito para lá desta realidade que habito. Fecho os olhos e vejo claramente uma imagem: uma cara, um corpo, um sorriso. A alegria contagiante invade-me o corpo e provoca-me um arrepio.
Sinto que sorrio para corresponder ao teu; sinto uma ponta de ridiculo por poder estar a sorrir na realidade, de olhos fechados, no meio do caos do trânsito. Mas sinto o tal arrepio de felicidade porque vejo que do outro lado, naquela realidade momentânea que é o mundo de olhos fechados, estamos a olhar fundo nos olhos do outro, e a sorrir de felicidade, da alegria de mais um encontro, da perspectiva do abraço de sentir o perfume bom do outro.
Sei que me vais ver; sei que o vais ver. Pode não ser no preciso instante temporal, mas sei que fecharás os olhos; sei que verás a imagem, este mundo que agora estou a ver, mas na tua perspectiva. Sei que ficarás tão feliz quanto eu perante essa visão e que sentirás que na realidade real farás o tal sorriso de olhos fechados.
Um sorrir alivia o mundo, e o teu é belo! Um par de olhos cristalinos, sinceros, ilumina tudo e todos que os possam apreciar e ver a brancura. Consigo aquecer-me perante esse olhar penetrante, ansioso e atencioso, que pelos meus penetra fundo, e procura dentro de mim a palavra amor.
Palavra que te exprimo imediatamente com o olhar; que respiro com mais força ao ver-te; que aperto com mais força no teu abraço; que beijo com carinho nos teus lábios; que repito incessantemente, em murmurio, ao teu ouvido...
Abro os olhos... continuo no mesmo trânsito na mesma chuva no mesmo vento brincalhão que salpica a chuva.
Noto ao longe um pedaço azul de céu por entre as núvens carregadas... afinal ainda posso ter esperança!

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

segunda-feira, setembro 13, 2004

A imaginação não abunda por estas bandas... e até há vários assuntos para falar, mas não tenho muita vontade de voltar a tocar em temas viscosos, de multiplas opiniões e sentenças. Assim deixo uma musica, que mesmo quem não conheça pode ler como uma poesia.
Gosto bastante...

Carlos Paião - Eu não sou poeta

Quem me dera saber
Fazer versos, rimar...
Para um dia escrever
Que tu és a mulher
Que eu quero amar!

Quem me dera fazer poesia
Inspirada na minha paixão!
Inventar sofrimento, agonia,
Um amor de Platão!...

Quem me dera chamar-te de Musa
Em sonetos e coisas que tais...
Numa escrita solene e confusa,
Com palavras a mais!

(Refrão)
Eu não sou poeta,
Não, não sou poeta,
Nunca fui um grande sofredor...
Eu não sou poeta,
Não não sou poeta,
Não te sei falar de amor!

Mas, se eu fosse um poeta dotado
Ou se, ao menos, julgasse que sim,
Falaria com ar afectado,
Aprenderia latim!

Só faria canções eruditas
E, se as ditas ninguém entendesse,
Rematava com frases bonitas,
P'ra o que desse e viesse...

(Refrão)


Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

sábado, setembro 11, 2004

Este post é dedicado a uma pessoa especial, uma grande amiga, e que está prestes a entrar numa nova etapa da sua vida, uma bem importante. Desejo-te então as melhores felicidades e que tudo corra bem, votos sinceros!
Assim, para ti em especial, e para todos quantos visitem este site, deixo aqui a letra desta música, que aconselho vivamente.
(Ela sabe quem é, não preciso revelar ;) )...

Adriana Calcanhoto - Fico Assim sem Você

Avião sem asa, fogueira sem brasa
Sou eu assim sem você
Futebol sem bola,
Piu-Piu sem Frajola
Sou eu assim sem você

Por que é que tem que ser assim
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil alto-falantes
vão poder falar por mim

Amor sem beijinho
Buchecha sem Claudinho
Sou eu assim sem você
Circo sem palhaço,
Namoro sem abraço
Sou eu assim sem você

Tô louco pra te ver chegar
Tô louco pra te ter nas mãos
Deitar no teu abraço
Retomar o pedaço
Que falta no meu coração

Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas
Pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo

Por quê? Por quê?

Neném sem chupeta
Romeu sem Julieta
Sou eu assim sem você
Carro sem estrada
Queijo sem goiabada
Sou eu assim sem você

Por que é que tem que ser assim
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil alto-falantes
vão poder falar por mim

Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo

Por quê?

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

quinta-feira, setembro 02, 2004

PEQUENO PERIODO DE FÉRIAS, "outside" Coimbra...

Aproveitando os 15 dias de férias em que o café, onde comecei a trabalhar recentemente, está fechado, estarei fora de Coimbra com uns amigos até à próxima terça-feira (em principio), lá para terras alentejanas, a conhecer locais que - em amiudes comentários - são maravilhosos. Mesmo assim escrevo antes da partida porque há certos assuntos que gostaria de salientar, e aproveitar para deixar uma posta após quase 15 dias de falta de actualização.

  • No outro dia vinha n'O Publico online uma noticia em que o Ministério da Ciência e Ensino Superior iria utilizar-se da classificação da investigação feita nas universidades para, assim, estas investigações poderem dar um bónus às depauperadas contas universitárias. No caso da Universidade de Coimbra temos muita e boa investigação, mas nem sempre essa investigação usa, ou aproveita, os alunos da Universidade para colaborações que seriam do maior interesse para a instituição, professores, alunos, e para um mercado de trabalho mais fléxivel e técnico. Pode-se falar que há alunos a mais e nem todos podem ter uma oportunidade, pode-se dizer que haverá professores que recolhem todos os louros para si, pode-se dizer que os alunos nem sempre serão uma boa aposta para certos trabalhos porque há prazos a cumprir, e baixos financiamentos, e não é aplicável. São vários comentários que podem ser feitos. Expressei uma opinião pessoal de conteudo um tanto ou quanto provocatório para todos os utilizadores da rede interna do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Coimbra, à espera que, desta forma, pudesse recolher opiniões mais acérrimas por parte dos professores. Num corpo docente de 35 pessoas, se não me engano, responderam-me 4. Agradeço as respostas sinceras e considero muito interessante o ponto de vista, no entanto aplica-se o mesmo conceito: os alunos sabem pouco sobre a carreira docente e sobre muito do trabalho que se faz na investigação; mas os docentes também pouco se preocupam com o desempenho dos vários alunos que têm, o porquê de por vezes não terem as melhores notas e quais as condições em que estudam e trabalham, e a forma como são feitos os regulamentos, reestruturações, avaliações em muitos casos.
  • Nesse mesmo assunto, cada um protege a sua casa e atira pedras para as que têm telhados de vidro, ou seja: aqui a investigação é muito boa, em muitos casos muitos estudantes são beneficiados, etc. Concordo, mas o "bolo" todo do ensino superior não é feito por casos de excelência como existem em muitos locais da Universidade de Coimbra, e também devia haver um interesse pelo geral do Ensino Superior, algo que os alunos têm lutado, e não só pelo seu cantinho. Quando acho que muitos docentes vão preterir uma boa transmissão de conhecimentos, em detrimento da investigação que pode ser melhor classificada e com isto ajudar o depauperado orçamento da Universidade, julgo que não andarei muito longe de muitos casos que se passarão em muitas instituições de ensino superior. Mas também não tenho provas do que digo, são suposições de quem já está à muitos anos na Universidade.
  • O impedimento de atracagem do chamado "Barco do Aborto" em qualquer porto português é o maior absurdo que já se viu, em tudo comparável à forma como a Coreia do Norte e a China agem quando é algo contra os principios dos seus governantes. Está bem, aquela prática como é feita no barco será provavelmente criminosa, mas não o é fazer abortos em vãos de escada, por pessoas não habilitadas a tal? Nesta forma de proibir um possivel (e discutivel) crime, não se está a proteger um ainda mais hediondo, que não atenta a umas células mal diferenciadas, mas à vida humana? Ou, melhor ainda: isto é algum talho?!
  • Francis Obikwelu colocou Portugal no quadro dos países com atletas mais rápidos do mundo; fez o seu melhor e pediu desculpa por não ter conseguido duas medalhas; noutros casos criticam-se os organismos porque não se soube procurar, desiste-se porque se está muito atrás, exibem-se vergonhosa e brutalmente e clamam que fizeram o seu melhor. No desporto como na realidade, procuram-se bodes expiatórios para os insucessos e pede-se demais a quem teve sucesso. O que lamento é que Francis estará esquecido dentro de duas semanas, mas os atletas que pisaram a bandeira e a camisola de Portugal nos relvados de Atenas estarão nas bocas e nos ombros do mundo...

Bom, até ao meu regresso!

Cumprimentos!


Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

quinta-feira, agosto 19, 2004

O Magnífico Reitor dá-nos mais uma lição... de como não se deve apregoar!

O Reitor da Universidade de Coimbra foi eleito, praticamente, graças aos estudantes. Estes destituiram, ou forçaram (porque não têm poder para a destituição) à saida de Fernando Rebelo porque este não tinha opinião formada, ou por compromissos políticos nunca mostrou opinião, sobre o financiamento do ensino superior publico. Pelo seu background, e forma de pensar, os estudantes viram na figura se Seabra Santos um sangue novo, uma irreverência, e uma forma de estar de oposição à forma de pensar governativa.
No entanto, Fernandinho apareceu com caldos de galinha e decidiu tornar as salas da Reitoria num baixa-calças e beija-cús governamental, ou porque não tem outra hipótese por influências internas de quem tem mais poder na Universidade - os professores, muitos deles professores doutores que não admitem que um simples mortal como um aluno os aborde num corredor, e, crime mortal, não diga os seus títulos académicos - e vai daí tornou-se no comunista mais privado de todos, fazendo com que a Universidade de Coimbra esteja na vanguarda das universidades publicas portuguesas no que respeita à fixação do preço da propina, não fosse a forma pouco democrática como os estudantes interromperam as reuniões de senado em que essa questão era votada.
Hoje aparece Fernandinho no diário As Beiras com o seguinte ponto de vista, muito interessante para quem partilha ideiais comunistas. Reparem só nesta pérola (será que também foi gravada em off-record?!), sobre os alunos com pagamentos em atraso na Universidade de Coimbra: "Para Seabra Santos, “esta situação pode ser dramática para o estudante e não defende o interesse público, na medida em que fica prejudicado o acesso de cidadãos a uma habilitação superior e gorado todo o investimento entretanto já efectuado pelo Estado”. "
Ou seja: porque o estudante não paga uma coisa que acha absurda, e é a sua unica forma de protesto, já não defende o interesse publico; porque o estudante não paga está a prejudicar outros cidadãos de aceder ao ensino publico; porque o estudante não paga o investimento feito pelo estado vai por água abaixo... então surge a pergunta: qual é o dever do Estado nesta situação toda, se é ao estudante que cabem todas as responsabilidades por não pagar?!
Mais à frente na reportagem diz-se que "o valor das propinas traduz, por ano, um montante de cerca de um milhão e meio de contos para Universidade de Coimbra"; acrescendo a isso uma notícia do Publico de segunda feira, em que os investigadores com a sua actividade de investigação podem ajudar a aumentar o orçamento da sua univerisidade, e será justo pensar assim: conheço, na universidade de Coimbra, alunos que têm aulas com 70 alunos em salas que dão para 20; laboratórios para licenciatura e mestrado com equipamento obsoleto; laboratórios e salas onde chove; professores que não dão aulas durante grande parte do semestre e avaliam os alunos; faculdades que não dão condições para determinadas aulas; faculdades que só existem no papel mas não têm espaço fisico próprio com condições para dar e ter aulas condignas...
Para onde vai o milhão e meio de contos de propinas? O dinheiro que as famílias pagam a mais porque têm o "privilégio" de ter um filho na Universidade? O dinheiro para ter o "privilégio" de ter um filho licenciado sem ter vaga de emprego? Que tem de investir mais dinheiro num mestrado porque não há mercado para si, mas haverá mercado para mais universidades publicas?
Outras perguntas passiveis, sr. prof. Dr. Fernandinho: como é possivel que alunos de Letras, Direito, gestão, Economia, Sociologia, Psicologia (que têm cursos muito menos dispendiosos) ou Desporto (que não tem instalações senão lá para 2010) paguem a propina máxima no próximo ano lectivo, votada pelos dignissimos senhores professores doutores (cobardes que não são capazes de afrontar os estudantes que eles chamam de mal criados, anti democráticos e geração rasca...) num vão de escada, com uma ordem de tribunal em cima; como é possivel que pessoas que tanto lutaram pela democracia num país, se vangloriem pela liberdade, pelo ensino publico, pelas ideias vanguardistas, venham exigir dos seus filhos, sobrinhos ou netos paguem pelos erros de gestão, erros de má governação passados ao leme de faculdades e universidades, e fujam com o rabo à seringa e bolsos cheios de dinheiro e irresponsabilidade?
Haverá aqui algum défice democrático? Ou deficiencia de ideias de quem já está ultrapassado, esclerosado, raquitico de ideais, opiniões e com as baionetas dos outros ranhosos esclerosados que têm mais poder que o próprio poderoso?
Bate no pequeno, porque ele será incapaz de te chegar com a lança...

Parabéns Magnifico Reitor, e senhores presidentes das Faculdades da Universidade de Coimbra: conseguiram chegar onde queriam e estão quase a apagar a negligência e incompetência ao serviço à custa de umas quantas cabeças a menos no ensino superior, cabeças que pagam para nunca terem o curso que almejaram. Nas guerras morrem sempre inocentes, não é?

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

quarta-feira, agosto 18, 2004

Esta notícia do "Publico" é fantástica... afinal quem não quer?!


"Herói de acção em "Supremacia"Matt Damon quer fazer filmes porno

Em "Supremacia" ("The Bourne Supremacy"), estreado no final de Julho nos Estados Unidos, Matt Damon é um antigo agente que se vê de novo às voltas com a CIA. Mas o actor, aparentemente cansado dos filmes comerciais de acção, está empenhado no desenvolvimento de novos géneros cinematográficos, tendo-se imposto a si próprio um novo desafio profissional: "Quero fazer um filme porno onde as personagens sejam importantes".O "bom rebelde" considera que não existem muitas diferenças entre um filme comercial, feito para gerar receitas milionárias, e um filme pornográfico. "A minha teoria sobre os filmes de acção é que são parecidos com os filmes pornográficos. Ambos têm péssimos argumentos, interpretações de baixíssima qualidade e personagens pouco consistentes", disse. Enquanto se aguarda pelas futuras aventuras porno de Dammon pode apreciar-se o seu desempenho na sequela de "Identidade Desconhecida" ("The Bourne Identity"). Em Portugal, tem data prevista de estreia para 16 de Setembro.Para já, o actor está em Washington a rodar "Syriana", um "thriller geopolítico" no qual contracena com George Clooney e Jeffrey Wright. "

Sim senhor. Afinal quantos homens, depois de verem as mulheres que contracenam na maioria dos filmes porno, ou que pululam por essas casas de strip, não gostariam de fazer o mesmo que a grande referência de Hollywood, Matt Damon?
Afinal o que ele pretende com isto? Fama? As actrizes porno americanas, em muitas situações, foram para esse meio para ter fama suficiente para chegar a Hollywood, e ele já lá está; dinheiro? ele escreve argumentos, produz, é actor muito bem pago, escreve livros, contracena com os melhores actores e actrizes do meio...
O que quererá então Matt Damon? Cá para mim devem andar montes de gajas à volta dele, e ele não come nenhuma, e já que paga ao menos que as filme, ou então tem o fétiche de filmar as cenas sexuais que tem com as suas fãs para não se aproveitarem dele, ou tem o fétiche de comer uma actriz porno...
Não sei, mas se há pessoas com meios para fazer um filme porno, um deles é o Matt Damon.
E quantos de nós, homens, não gostariam de pertencer ao elenco desse filme? Sim, porque o elenco feminino deve ser algo de fantástico, digo eu! Se para Bigs Brothers e Quintas das Celebridades num país pequenissimo como Portugal as gajas já são bem boas, e nos castings dos Idolos e essas cenas também, agora imaginem os castings para o filme porno do Matt Damon?!

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

terça-feira, agosto 17, 2004

ASSIM VAI O MUNDO...

Nos ultimos tempos tenho tido oportunidade de ver em televisão muitas coisas que antes não veria; ao trabalhar num café em Coimbra, tenho contacto com multiplas pessoas, e a possibilidade de observar e ouvir opiniões variadas. Em termos televisivos posso assistir a relances tão (ou não) convidativos como os programas Batanetes, Morangos com Açucar, Baia das Mulheres, Jornal Nacional - estes da TVI; alguns programas de desporto nos canais do cabo, os resumos dos jogos olimpicos, jogos de pré-época, e até o Consultório Sentimental do canal 17 da TV Cabo.
Gostaria de tecer algumas considerações, que passo a transcrever:
  • Hoje, no diário Olímpico, um jornalista entrevistou alguns gregos porque eles, impulsionados pela impressionante demonstração de patriotismo portuguesa, também decidiram colocar bandeiras nacionais (da Grécia, para os mais estupidos) nas janelas e locais visiveis. Por entre a simpatia dos gregos, continuava o jornalista, quando sabiam que estavam a falar com portugueses não se dirigiam com as palavras em grego para cumprimentar, mas diziam "Charisteas", que foi o sacan... quero dizer, filho da puta, que marcou o golo a Portugal na final do Euro 2004. Perante tão grande demonstração de sentido de humor grego proponho que comecemos a apoiar a entrada da Turquia na UE. Não é que esteja de acordo, nem sou vingativo, mas o sentido de humor paga-se com sentido de humor... negro! Temos sempre outras opções, como poluir as praias deles, ir para lá causar incêndios florestais, conduzir embriagados e provocar acidentes mortais nas estradas, coisas nunca vistas na Grécia. Ah, podemos enviar uma carta para a Al-Qaida, ao cuidado do Exmº Sr. Bin Laden, com o seguinte titulo: "Tipo, não se estão a esquecer de nada?!", ou talvez "As Olimpiadas, men!", ou mesmo "Platão, Aristóteles, Sófocles e outros pensadores gregos divertem-se no além a sodomizar à força o profeta Maomé e até Alá, que já está que nem pode...".
  • Os "Malucos do Riso" é um programa do mais pobre em termos humoristicos que já existiu, no entanto talvez Salazar ainda conseguisse achar graça àqueles chistes do tempo da sua infância. A resposta da TVI não se fez esperar e decidiram-se pelos "Batanetes". A graça é muito menor, e podemos chorar piedosamente por vermos a descer tão baixo actores como Victor de Sousa, Rita Ribeiro, ou gajas boas com Inês Castelo Branco a fazer um papel ridiculo que ela ainda ridiculariza mais por achar que humor é palhaçada - nem sempre, querida! É pena que actores tão bons tenham que comer merda para poderem ganhar o seu ganha pão;
  • no outro dia no Jornal Nacional deram uma notícia de um estudo estrangeiro em como eramos o país que tinha os salarios mais baixos. Não era preciso o estudo para sabermos isso. A verdade, como à pouco tempo li num jornal, é que a maioria do trabalho em Portugal é de mão de obra não qualificada, algo que em muitos países da Europa seria inconcebivel acontecer porque eles procuram pessoas qualificadas; consequentemente os qualificados são mais caros, logo a mão de obra - e os salários - são mais altos. Mas vendo isto por outro lado: já pararam um pouco para pensar quanto gastavam num café, numa imperial, numa caixa de flocos, num gelado da Olá à, digamos, 4 anos? O preço não estava quase a metade? Conclusão: não só temos os salários mais baixos como o nosso nível de vida é dos mais altos, em que a maioria dos preços dispararam para O DOBRO com a entrada do euro. Reparem no próximo aumento que sofrer um bem de consumo... normalmente com o escudo aumentava 5 escudos; agora se aumentar 5 centimos é uma sorte! O mais provável é aumentar 10 centimos (ou seja, 20 escudos na moeda antiga...);
  • Para terminar, e isto é uma reflexão que nada tem a ver com o trabalho demonstrado ou a demonstrar pela pessoa, nem tem a ver com aquilo que eu penso da pessoa em questão: é tão estranho ver Pedro Santana Lopes a falar na TV, e aparecer "Primeiro Ministro"... ainda à uns anos andava ele quase à porrada com o Pôncio Monteiro nos écrãs da SIC... ainda à uns anos apareceu ele de lenço vermelho, qual Rambo, na capa de uma revista cor de rosa... - é mesmo estranho vê-lo nessa função!

    Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

sábado, agosto 14, 2004

ULTIMA HORA: NOTÍCIAS DO IRAQUE, pelo correspondente especial Amândio Fonseca

Em Najaf, célebre cidade rebelde iraquiana, não se fala de outra coisa, os comandos americanos ficaram estupefactos pelo comunicado emitido pelas milícias de Moqtada El-Sadr, quando nada o previa.
Passou-se uma estranha concentração de emigrantes portugueses, mesmo alguns GNR's destacados na missão no Iraque, pedindo às milicias para serem raptados e mortos, como eles têm feito com outros estrangeiros pertencentes à coligação multinacional que retirou Saddam Hussein do poder. Em causa está a vergonha dos portugueses, primeiro porque, segundo dizem, os jogadores da equipa olímpica de futebol portuguesa trataram pior os jogadores iraquianos em campo do que as torturas sofridas em Abu-Gharib. A mesma fonte anónima, e envergonhada, general das forças da GNR portuguesas, disse que de bom grado se oferecia como voluntário a ser raptado porque após a forma como a selecção portuguesa jogou "não pode haver pior, nem cortarem-me a cabeça!", referiu.
Por isso as milicias emitiram um comunicado lacónico, que aqui transcrevemos:
"Não raptaremos ou mataremos civis ou militares portugueses, apesar da sua presença na coligação ou das sevicias infligidas aos mullahs da selecção iraquiana de futebol, pura e simplesmente por pena de tão mau jogo pela sua selecção, e porque achamos que esse sofrimento é suficiente para uma nação, não sendo necessário decapitar ninguém.
Gostariamos, inclusivé, de convidar José Romão para nosso tactical manager, porque com a sua táctica fantástica faremos muito mais reféns, e as nossas comunicações passarão de simples comunicados anónimos a um rol infinito de desculpas filosóficas e esfarrapadas, conseguindo que o mundo não nos odeie num todo, mas somente a quem as transmite."
Os americanos ficaram visivelmente desorientados e já pediram ao presidente George W. Bush para, ao invés de combaterem as milícias, fazerem um jogo com a selecção iraquiana de futebol, perdendo de forma miserável. Donald Rumsfeld respondeu de imediato dizendo que esse pedido é pura contra-informação, porque é impossível um punhado de jogadores profissionais jogar de forma tão pobre contra uma selecção amadora e sem meios. Segundo Rumsfeld, nem os paralímpicos conseguiriam tal proeza, pelo que o exército continuaria a sua missão.

Mantorras é visto como possivel reforço da selecção Olímpica Americana

Após estas declarações de Rumsfeld a federação americana de futebol começou a remexer no submundo do futebol, juntamente com a CIA e o FBI e sabe-se, de fonte segura, que existe uma proposta bem realista para a contratação de Mantorras. Segundo o treinador anónimo da selecção americana "este é o jogador só com uma perna com melhor currículo que conseguimos encontrar; ainda pensamos contratar o Fernando Aguiar mas o seu passe está muito alto pelo que já pedimos em Hollywood para desentoxicarem o Robocop numa clínica, só para o caso".
Para terminar resta dizer que a FPF ainda não reagiu ao caso surgido, nem mesmo o governo português. Ao que parece houve uma paralisia colectiva que impede que quem assistiu o jogo consiga sequer falar durante um intervalo de 48 horas. Apesar de todos os esforços, e de horas em exclusivo com o POSAT, não conseguimos declarações de Scolari, de férias "longe, muito longe, o mais longe possível de qualquer órgão de comunicação que transmita os Jogos Olímpicos", segundo o seu responsável de comunicação.


Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

quinta-feira, agosto 12, 2004

Senhoras e senhores: José Carlos Ary dos Santos!!!

"Poesia-Orgasmo


De silabas de letras de fonemas
se faz a escrita. Não se faz um verso.
Tem de correr no corpo dos poemas
o sangue das artérias do universo.

Cada palavra há-de ser um grito.
Um murmúrio um gemido uma erecção
que transporte do humano ao infinito
a dor o fogo a flor a vibração.

A poesia é de mel ou de cicuta?
Quando um poeta se interroga e escuta
ouve ternura luta espanto ou espasmo?

Ouve como quiser seja o que for
fazer poemas é escrever amor
a poesia o que tem de ser é orgasmo."

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

sábado, agosto 07, 2004

SOLUÇÃO PARA TERMINAR COM AS LISTAS DE ESPERA NAS CIRURGIAS

Basta ser jogador de futebol: já viram o Beto ou o Mantorras à espera de cirurgia? Com as vezes que já abriram os joelhos ao Mantorras já se devem ter afiado bisturis uma porradaria de vezes! Mesmo assim ser de um clube não garante operações rápidas: todos os jornalistas desportivos e olheiros, equipe técnica e SAD do Benfica ainda acham que o Mantorras vai explodir e ser um grande jogador...

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

quinta-feira, agosto 05, 2004

SE FOSSE DO PS APOIARIA O MANUEL ALEGRE...

Não se trata de brincadeira, é convicção mesmo: tenho um tacto especial para causas perdidas! Chego a ter pena desse grande homem, poeta, escritor, e segundo o que já ouvi de pessoas que lidaram com ele proximamente (ainda por cima para falar com ele de causas nobres) ele mostrou-se simpático e prestável... ou não. Desde o "força, força companheiro Vasco", lema de Vasco Gonçalves, não temos possibilidade de ter um candidato a primeiro ministro rude, viril e antipático. Escritores não tivemos muitos, sendo que todos os políticos que escreveram livros nunca almejaram um grande cargo. Ok, Santana Lopes escreveu um livro mas ele não conta, afinal quem ganhou as eleições foi o Durão Barroso.
Se eu tivesse chegado agora a Portugal vindo do estrangeiro também ficaria do lado de Manuel Alegre. Senão vejamos: ele tem um ar fatigado, senhor de mil lutas; é o político mais parecido com o Pai Natal (a seguir ao Pacheco Pereira, mas esse é um Pai Natal menos simpático); e parece que quando se filiou num partido se enganou na sede e entrou na do PS em vez da do PCP! Denota-se na sua forma de estar na política alguma semelhança com Santana Lopes: não se cala, mesmo que seja para dizer baboseiras, o que é comum. Alie-se isso ao Paulo Portas de boina a passear nos mercados - esperando-se que ele não mostre o seu lado de marinheiro ao usar a boina da Marinha... - e o excelente nível do Carvalhas para discursos, e temos uma campanha eleitoral em grande! Ah, não esquecer do novo partido: Nova Democracia, um partido de direita que espera ser popular, que o diga o outro Manuel: mais um profissional dos mercados do peixe!
Para completar o circo faltaria lá o João Soares e os seus capangas angolanos, mas só um pode ser líder de Partido... quando é que essa malta toda se reforma e se torna a política numa profissão digna? Já tiveram os seus 8 anitos no Parlamento, estão bem bronzeados do sol e praias fantasma, estão cheios de doenças desses oito fatigantes anos... REFORMEM-SE, CAMBADA DE VELHADAS!
E ainda criticam o PCP por não se renovar! Cheiro a mofo, chiça!
Mas também quem sobra? António José Seguro no PS: político carreirista, nunca fez nada na vida sem ser politico (ou politiquices)... nem sequer pedofilia! Gonçalo Capitão no PSD... que dizer? Ao menos podia tirar um curso de teatro porque defender coisas em que não se acredita só porque não se está no sistema! (estou-me a lembrar do debate sobre o ensino superior em que todos - TODOS - aqueles presidentes de Associações Académicas, que ele e outros tentam chamar de burros e veteranorum lhe passaram a perna e deram uma aula de boa argumentação, boa preparação e "ganharam" o combate... até o Vitor Hugo Salgado!!!); o Bernardin(h)o Soares, que aparece de vez em quando com um ar mais "cool", sem gravata, à brloquista... porém olhando bem para ele consegue-se ver a imagem do Jerónimo de Sousa a dançar... quem sobra? Garcia Pereira continuará no seu frasco de formol até aos 150 (mil) anos... e no Bloco? Acho que quem está lá até se tem defendido bem; sinceramente da classe política até considero como menos maus... para falar a verdade até espero que lá fiquem muito tempo porque os militantes que tenho visto do Bloco deitam qualquer classe abaixo: são demagógicos, não aceitam as opiniões dos outros, aparecem como maltrapilhos junto dos outros mas têm grande sustento, não abdicam dos seus prazeres mas obrigam os outros a abdicar, querem obrigar os outros à sua forma de (não) pensar e de (re)agir... enfim...
Felizmente vivemos em democracia... será?

Bem, já estou a ver os processos por difamação. O que preciso fazer para alguém me dizer que não tenho personalidade jurídica?

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

terça-feira, agosto 03, 2004

Não é poesia, nem política, nem religião, nem parvoíce...

Nestes ultimos dias tenho tido vontade de escrever mas não consigo. É uma sensação esquisita, como aquela em que, maldispostos, queremos por tudo vomitar, e não sai nada: nem com dedos à boca, nem apertando o estomago, nem puxando do mais fundo de nós, nem fazendo uma reza a S. Jorge de Morunhanha.
Então aproveito este post para divulgar umas coisitas que acho importantes e que, quando remodelar o meu blog ou construir um site, incluirei como links. Cá vai alho:


  • O portal do cidadão é daquelas coisas que sempre criticamos por não existir, mas quando existe ninguém, ou quase ninguém utiliza. Muito simples de utilizar, é uma ferramenta muito interessante para quem tem duvidas, curiosidades, interesses, na sua vida normal. Pode dizer o que é, direccionar para o site pretendido ou simplesmente ter disponivel para download algum documento que precisaremos. Cada vez mais há pessoas desconfiadas com a facilidade de pagar contas através de multibanco, usar a net como ferramenta para não perder tempo em filas durante um dia inteiro... porém tempo é dinheiro e o que é facto é que assim não só é mais rápido, não temos de lidar com os humores (ou falta deles) dos funcionários, nem com as asneiras nas suas informações mal sabidas. O mais interessante disto é, penso, que assim as pessoas cultivam-se porque se mantém informadas, e procuram a informação - aí está a base de um povo culto, a procura de informação! - http://www.portaldocidadao.pt/
  • Gostando ou não dele, é ou não é daquelas pessoas que percorre os telejornais e as notícias mais mitras da TVI à espera que falem das vezes que o governo mete a pata na poça, ou mete água? Mesmo não sendo é bom manter um espírito crítico; mas também é bom mantê-lo para o que se ouve nos telejornais. É que nem sempre eles dão as noticias de acordo com o que aconteceu, mas da forma como interpretam, ou da forma como dará mais audiências. Não interessa o conteúdo, mas sim aquela virgula mal colocada e que dá a um artigo (em um milhão) um ar de escrita de taberna. Para saber as informações directamente do Governo - seja qual for a sua opinião sobre a legitimidade - propostas, ordens de trabalho, conselhos de ministros, leis aprovadas e por aprovar, é só dar uma saltada a este site: http://www.governo.gov.pt/
  • Para terminar, e porque todos somos jovens, ou temos um jovem dentro de nós (intrinsecamente, não levar à letra! - excepção para as grávidas) trata-se de um site muito interessante e cheio de informação. É de ver: http://www.juventude.gov.pt/

Fico-me por aqui, outro dia voltarei cheio de força!... Ou não...

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

quinta-feira, julho 29, 2004

Estava a ler o "ultima hora" do site do Publico...
 
E encontrei umas passagens muito interessantes. Decidi transcrevê-las e deixar sem comentários - esses deixo-os para quem ler.

"A legislação italiana exige desde há um quarto de século que todas as áreas ardidas sejam registadas e mapeadas. Proíbe também alterações no uso desses terrenos durante 15 anos e construções de edifícios durante dez, e não autoriza financiamentos públicos à reflorestação durante cinco."

"Os presidentes executivos das empresas portuguesas e austríacas são os mais relutantes em divulgar os seus salários e rendimentos, revela um estudo comparativo realizado pela consultora britânica BoardEx.
...
"Não parece haver muita pressão nas empresas portuguesas para que divulguem muita coisa", explicou à Lusa o autor do estudo, Brendan Sheehan."A maioria dos países têm já alguma forma de obrigatoriedade de revelar dados como estes, mas no caso de Portugal - e ainda que não conheça em profundidade a legislação vigente - isso parece não acontecer", sustenta.Sheehan sugere que a falta de divulgação dos rendimentos dos responsáveis das maiores empresas portuguesas poderá dever-se, em parte, ao facto de estas não estarem ainda tão internacionalizadas como as de outros países. "

Comments anyone? Voulez vous dire quelque chose?

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

quinta-feira, julho 22, 2004

GRANDIOSA TAINADA, COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ!!!

Sábado, dia 24 de Julho, a partir das 18h, decorrerá uma grandiosa sardinhada e afins, na casa dos Arosos - Rua Brigadeiro Correia Cardoso 310 2º, Santo António dos Olivais, Coimbra. Na convocatória para já planeada constam:

  • sardinha assada à tainador
  • salada mista, um misto de alface, tomate, cebola, pimento, pepino e temperos
  • pão alentejano e broa (de qualquer lado, não somos esquisitos)
  • Azeitonas, das boas
  • Vinho tinto e branco a rodos... mais o tinto, para acompanhar condignamente a sardinha
  • cerveja, para os apreciadores desse néctar maravilhoso
  • sumos, para as gajas e para os rotos
  • água, del cano, que é a mais cara
  • sobremesas a designar
  • música e boa disposição

Para todos os leitores deste maravilhoso blog, estende-se já o convite de participação neste magnifico evento (custo de participação 5€) com tudo à descrição até acabar. A organização agradece que compareçam até às 19h do próprio dia, ou façam marcação pelo telefone 963432238 ou e-mail (paulo.aroso@zmail.pt).

AVISO: Este anúncio é mesmo para levar a sério, não é brincadeira! Quem não souber onde é a rua, procure nas páginas amarelas, em mapas na net, em programas tipo autoroute express, pergunte ao Julio ou, simplesmente telefone e pergunte onde é.  

AVISO Nº2: Como não há neve nesta altura do ano, não haverá girafas. O strip também não está previsto para essa data.  

AVISO Nº 3: Não temos advérbios de modo, pronomes pessoais, nem moelas. A possibilidade de um aperitivo não está colocada de parte. É proibido o pagamento com miminhos.  

AVISO Nº4: Preço especial para Deus(es) (de qualquer tipo de religião), santos padroeiros, anjos e arcanjos: 15€ - é que essa malta é um bocado má onda, está em todo o lado e a luz das auréolas incomoda um bocado. E as penas no assador?!  

Não percam esta oportunidade!!! Amanhã já não há!!! Não é todos os dias!

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

segunda-feira, julho 19, 2004

Momento Político - uma opinião pessoal
 
Após a passagem desta pequena instabilidade, resolvida habilmente pelo Presidente da Républica, o unico que foi imparcial nesta história toda, permito-me a tecer breves comentários sobre o que se passa e passará no futuro. Realço que este futuro que falo é a minha humilde opinião, somente, e não se trata de nenhuma visão num qualquer sonho como tive durante o Euro 2004.
 
Como é normal, pelo menos em Portugal, os responsáveis de cada partido pensaram primeiro nos seus camaradas de partido, nos "boys" e possiveis tachos, no assumir de poder, e na influência ou não que poderiam ter junto do Presidente da Républica. Jorge Sampaio mostrou ter coragem, uma coragem que os militantes do PS, seu partido, nunca acreditaram que ele tivesse, já desde a altura em que ele foi secretário geral do partido. Dessa forma tornou-se, na sua acção governativa, como o Presidente da Républica mais imparcial que me lembro - Mário Soares aproveitou o seu segundo mandato (como seria o ultimo) a mostrar a sua antipatia pelo governo de Cavaco Silva e vetava e criticava por dá cá aquela palha, o que serve para perceber do sentido de democracia desse e outros senhores como ele: é bom desde que seja bom para mim pessoalmente e, em segundo lugar, para o país.
 
O maior partido da oposição, Partido Socialista, perdeu todo este tempo de consulta do Presidente da Républica, a juntar as suas fileiras, a preparar as eleições legislativas e a ver quem teria mais valor para assumir cargos governativos. Desde o despoletar da crise foi ver o corre-corre dos militantes rosa para as sedes, os telefonemas, os sorrisos, e a preparação dos vários caciques. Como lhe competia, Ferro Rodrigues foi dando a cara em vários jogos do Euro, sendo quase sempre entrevistado para a televisão. Ele, Durão Barroso, Jorge Sampaio e José Luis Arnaut foram os politicos entrevistados a maioria das vezes, nunca ninguém se referindo aos outros lideres partidários, o que é uma grande vergonha da comunicação social. Na hora dos resultados viu-se que Jorge Sampaio não é um lacaio do partido e que trabalha para Portugal, ao contrário da maioria das bases partidárias dos principais partidos politicos, e Ferro Rodrigues, vexado, demitiu-se porque viu que não basta ser-se amigo para mudar opiniões. Foi uma grande lição aprendida (espero) pelos militantes do Partido Socialista.
 
Ana Gomes não aprendeu a lição e, mais uma vez, voltou a não ter papas na língua. Mais uma vez revelou a sua falta de educação e falta de bom senso na forma como falou do seu arrependimento. O seu desabafo/estupidez pode-lhe valer muitas antipatias mesmo dentro do partido, e junto de muitos militantes ou indecisos. Os anos que passou em contacto com os indonésios do regime de Suharto deixaram mossa... ou então os sorrisos pepsodent da altura eram mesmo cinismo a esconder uma personalidade politiqueira e trampolineira.
 
Disse que ia ser breve mas alonguei-me. Para terminar resta-me dizer que, infelizmente, a politica cada vez se assemelha mais ao futebol: primeiro era na forma aguerrida como os militantes se "agarravam" à bandeira e camisola do partido, estando-se nas tintas para se se faz ou não o melhor para o país... desde que se consiga um bom cargo, um bom salário, empregos para familia e amigos mais próximos, carros e plafonds de cartão de crédito, tudo vale; agora reparo numa nova aproximação ao quotidiano futebolistico: os "treinadores de bancada" que dizem que este e este não deviam ter sido "convocados", que haveriam pessoas melhor colocadas para o cargo. Simpatizo com Santana Lopes, confesso, mas pela obra recente dele acho-o muito despesista. Porém espero, para bem do país, que ele se saia tão bem como o Scolari à frente da selecção, e passe de besta a bestial. É que há muita gente, desde analistas a cabeças de partido, a gente anónima, que está a precisar de perder a arrogância e a que "o tiro lhes saia pela culatra".
 
 
Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

domingo, julho 18, 2004

Interludio de poesia: Eu e ela, Cesário Verde
 
"Eu e ela
 
Cobertos de folhagem, na verdura,
O teu braço ao redor do meu pescoço,
O teu fato sem ter um só destroço,
O meu braço apertando-te a cintura;
 
Num mimoso jardim, ó pomba mansa,
Sobre um banco de mármore assentados.
Na sombra dos arbustos, que abraçados,
Beijarão meigamente a tua trança.
 
Nós havemos de estar ambos unidos,
Sem gozos sensuais, sem más ideias,
Esquecendo para sempre as nossas ceias,
E a loucura dos vinhos atrevidos.
 
Nós teremos então sobre os joelhos
Um livro que nos diga muitas cousas
Dos mistérios que estão para além das lousas,
Onde havemos de entrar antes de velhos.
 
Outras vezes buscando distracção,
Leremos bons romances galhofeiros,
Gozaremos assim dias inteiros,
Formando unicamente um coração.
 
Beatos ou pagãos, vida à paxá,
Nós leremos, aceita este meu voto,
O Flos-Sanctorum místico e devoto
E o laxo Cavalheiro de Flaublas... "       
                  Cesário Verde
 
Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

segunda-feira, julho 12, 2004

Considerações de um cidadão que preza a democracia

Não pretendo, com este post, bater na decisão do Presidente da Républica, mas sim dar a minha opinião sobre ela. Primeiro acho que o Presidente tomou a decisão mais acertada para o bem do pais, não em termos de politica seguida pelo governo, que é discutivel, mas em termos de estabilidade geral do país. Senão vejamos: estamos a ter os primeiros indices de retoma, ainda timidos; acabou agora o Euro que foi um sucesso retumbante, conseguido pela união de todo um povo em torno de um objectivo - onde já se viu em qualquer evento desportivo um acompanhamento da sua selecção, os festejos apaixonados de outros povos pela vitoria da sua selecção, o sorriso por receber bem e dar tudo para que se sintam em casa? - e que devemos ficar bastante felizes por isso; temos compromissos europeus a cumprir, e somos olhados como um país capaz, organizador, discilpinado e obstinado. Marcar eleições antecipadas agora iria fazer perigar tudo o que foi conquistado.
Explico melhor a minha opinião: felizmente nasci e vivi dentro de um periodo democrático; entendo a democracia como a melhor forma que o povo tem de mostrar o seu descontentamento usando os meios ao seu dispor - eleições. Sou contra qualquer tipo de perturbação à ordem publica e de insubordinação contra as instituições democráticas e forças de segurança. Acho que os mandatos saidos das eleições devem ser cumpridos até ao fim a não ser que os mais votados se declarem incompetentes para o cumprimento desse prazo (como aconteceu com o Engº Guterres). Assim sendo torna-se lógico: o primeiro ministro demite-se para assumir um cargo de extrema importancia na hierarquia europeia; o partido mais votado, a governar em maioria, declara-se competente para cumprir o mandato na coligação formada; o presidente da républica, mais alta figura de estado, e com poder decisor, decide tomar uma decisão imparcial, de dar confiança dentro de determinadas premissas, aos partidos da coligação. Cumpriu-se a democracia! O que houve de errado?
O errado na historia toda é uma questão de respeito pelas instituições democráticas e de amnésia geral: apos as eleiçoes europeias os partidos da oposição viram fragilizada a coligação governamental; sentindo o cheiro de saida do primeiro ministro, o PS e o PCP começaram a imaginar-se no poder, somaram os resultados das Europeias, e toca de pressionar Belém para lhes proporcionar uma retumbante vitória. Afinal o Presidente da Républica é um socialista e não vai renegar o seu passado. Alguma semelhança com o apelo ao clientelismo que estes partidos dizem combater na Assembleia?
O que interessou na opinião destes senhores foi a vitoria do partido, e nao o bem estar do país; isso viu-se após a decisão, a forma revoltada como os meninos mimados reagiram, não respeitando a decisão do presidente e emitindo opiniões não só desrespeitosas às instituições democráticas como despeitadas e absurdamente estupidas. O mais contido ainda foi o Ferro Rodrigues, mas que ao admitir uma derrota pessoal transmite o clientelismo que já falei.
A democracia funcionou, e é de aplaudir; as instituições democráticas souberam resolver o problema, e quer se goste quer nao deste governo e da sua acção, nas eleiçoes legislativas vota-se um partido e nao uma pessoa; o partido continua lá, a pessoa é que se foi embora; o partido diz que tem alternativas para governar, então cheguem-se à frente! Se o Engº Guterres e o PS não tiveram os mesmos tomates em 2002 é problema deles, porque o Presidente disse que iria pelo caminho da estabilidade, que seria pedir ao PS para indigitar um novo primeiro ministro. Memória curta para os que hoje batem em Belém, é que o PS disse que nao tinha condições para governar.
Na minha optica, daqui a dois anos teremos eleições. Nessa altura faça-se a devida justiça! Quem está descontente agora estará daqui a dois anos, pelo menos na maioria. Então demonstrem-no e não fiquem em casa, a preencher os abstencionistas! Votem, nem que seja em branco, mas votem!
Ou pensam vós que se houvessem eleições, sendo um governo de esquerda, ia logo retirar todas as leis aprovadas por este governo, como primeiro acto de governação? Como diz Jorge Sampaio: o país precisa de estabilidade! E isso nao se consegue mudando radicalmente as politicas de dois em dois anos!
Afinal quem precisa de crescer são os politiqueiros esfomeados de esquerda, que já tinham a militancia toda preparada para o assalto aos cargos publicos...
Deviam ter vergonha, senhores!

Ultimamente tenho votado no Bloco de Esquerda porque acho que o Parlamento só com quatro forças politicas torna-se amorfo e retrógrado. Tinha razão: o Bloco trouxe mais cor, mais trabalho, mais discussão. No entanto entrou também no autocarro rápido do insulto nesta situação. Fiquei triste, porque os achava diferente. Também padeço de memória curta, mas posso não me esquecer deste passo em falso, e não sei se manterei a confiança nesta força politica, apesar de saber todo o trabalho que têm feito. Mas democraticamente devo demonstrar o meu desagrado no local proprio: na Urna de Voto!
Até lá, então...

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

sexta-feira, julho 09, 2004

"Espalhem a notícia" - Sérgio Godinho

"Espalhem a notícia
do mistério da delícia
desse ventre
espalhem a notícia do que é quente
e se parece
com o que é firme e com o que é vago
esse ventre que eu afago
que eu bebia de um só trago
se pudesse

Divulguem o encanto
do ventre de que canto
que hoje toco
a pele onde à tardinha desemboco
tão cansado
esse ventre vagabundo
que foi rente e foi fecundo
que eu bebia até ao fundo
saciado

Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher

A terra tremeu ontem
não mais do que anteontem
pressenti-o
o ventre de que falo como um rio
transbordou
e o tremor que anunciava
era fogo e era lava
era a terra que abalava
no que sou

Depois de entre os escombros
ergueram-se dois ombros
num murmúrio
e o sol como é costume foi um augúrio
de bonança
sãos e salvos felizmente
e como o riso vem ao ventre
assim veio de repente
uma criança

Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher

Falei-vos desse ventre
quem quiser que acrescente
da sua lavra
que a bom entendedor meia palavra
basta é só
adivinhar o que há mais
os segredos dos locais
que no fundo são iguais
em todos nós

Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher"

Adoro esta musica, tem uma letra fantástica!

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

quinta-feira, julho 08, 2004

O seu a seu dono - agradecimento especial

Para quem leu o meu ultimo post terá reparado os elogios e agradecimentos que faço a toda a equipa do jornal universitário A Cabra. Porém esqueci-me de mencionar um nome, que está incluida junto com a equipa, mas que será justo mencionar à parte.
Foi ela que teve a ideia, em sabendo através do meu mano caçula que ia para Erasmus, de me propor a escrita das crónicas. Casualmente já nos tinhamos cruzado durante a Latada 2003, por ocasião de uma entrevista dada ao site d'A Cabra, estava eu como responsável da barraca do NEEMAAC (Núcleo de Estudantes de Engenharia Mecânica da AAC), com Martini Bianco - e promoções inovadoras como o fantástico Beijo Lésbico! Na altura trocou o meu nome e, curiosamente, apareci como Miguel Aroso, nome do meu mano mais velho (coincidência!) mas daí não resultou qualquer problema. E se a promessa da oferta do Martini foi cumprida, a proposta de experimentar a promoção do Beijo Lésbico foi, com muita pena nossa, declinada.
Refiro-me à Rita Dellile, com quem falei apenas dessas vezes. Estendo então os meus agradecimentos à Rita por me ter ajudado a cumprir um dos meus sonhos, de tornar a minha escrita visivel para uma grande comunidade.

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt