segunda-feira, junho 14, 2004

FESTA DOS SANTOS POPULARES - RADIO ALFA
1o Capitulo


Pois é, foi ontem! Começando pelo fim - o concerto dos Xutos e Pontapés!
Ver um concerto dos comendadores do Rock Português durante o dia nao tem a mesma piada que de noite; ver quase sobrio, apesar de ser sempre espectacular, também nao é a mesma coisa; e beber mais estava fora de questao porque cada bebida custava 2.50€... mas para aqui até nem é caro!
O concerto foi fantastico, eles mesmo de dia continuam com a mesma energia, e o Tim estava até com energia a mais - ou de dormir pouco ou por efeitos do alcool (ja lhe vi aquela forma de estar noutro palco, noutra noite, LOL...) - e desde a primeira vez que mostrei o cachecol da Briosa o Zé Pedro abriu mais o sorriso, e apontava para mim sempre que mostrava - chegamos mesmo a cantar o "Briosa... briosa...", sendo eu a unica pessoa la da frente a fazê-lo, com ele do lado do palco! Arrepiante! Principalmente para os palermas que estavam a mostrar cachecois do benfica e que ninguém ligou importancia: senti que a Académica se tornou, ali naquele espaço, o clube central para toda aquela gente!
Tocaram durante cerca de hora e meia, e nao tocaram mais porque ja eram 21:15 e muita gente veio de longe; no entanto foram os que tocaram mais tempo, sendo logo seguidos pelo Jorge Ferreira, musico pimba radicado nos EUA, mas que tocando com banda até parece menos pimba, e pelo Fernando Girao, que devem ter tocado à volta de 1 hora e 15. A Mariza também foi um bom espectaculo, mas fado ali naquelas condiçoes é muito dificil, mas ela fez um esforço enorme e o publico correspondeu.
Quanto à audiencia, que pormenorizarei no segundo capitulo, so tenho a dizer uma coisa ( e parafraseando uma musica do Jorge Ferreira): "a portuguesa, é a mai'linda...". Realmente as luso descendentes, emigrantes, e nao so, deram um espectaculo de elegancia, beleza... e fome a muitos dos necessitados!
Contrastando com o especial cuidado que elas tiveram em ir deslumbrantes para a festa - como ficam bem as camisas da selecçao nas meninas! - os rapazes lusodescendentes, emigrantes ou coisa que o valha, nao têm cuidado nenhum (ou pensam que têm), sendo o mau gosto a nota dominante. Mas isso é uma questao de gostos, e estava mais ocupado a olhar para as meninas ;)
Nao perder o segundo capitulo, proximamente!

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

sexta-feira, junho 11, 2004

Serà demais pedir a taça?!

Eu acho que é. Estou muito confiante na participaçao de Portugal no Euro, mas acho que nao somos, nem de longe nem de perto, favoritos. Isso é o que dizem os outros so para tirarem a responsabilidade das suas costas e por nas dos outros. Nao estou a diminuir o valor de Portugal, e acho que podemos ser campeoes, e é uma coisa que devemos sonhar e pedir aos jogadores e equipa técnica, mas com os pés bem assentes no chao. Dificil é estar la, e foi muito mais dificil desta vez estar no Euro porque tivemos de construir estadios, organizar clubes, pessoas, mentalidades. Até à quinze dias ainda se dizia que Portugal nao estava preparado, que havia falhas de segurança, de salarios, de coisa que o valha. Mas as nossas caracteristicas fazem-nos ser os piores criticos de nos mesmos, mas juntarmos as vozes para nos superarmos. E fazemos as coisas com sucesso, mesmo quando todos dizem à tres ou quatro meses que o Euro tem tudo para ter sucesso, nos ainda estamos a olhar para aquele pedaço de escada junto ao estadio que esta sujo à meses, e por isso os estrangeiros vao achar que somos feios, porcos e maus.
Exigir à selecçao a taça é, acima de tudo, estar os 90 minutos a apoiar. Saudar pela vitoria, e ser o ombro de conforto na derrota. Sem o publico eles sao nada, e se perdermos um jogo vamos chorar mas temos de sorrir quando os jogadores sairem tristes, e temos de erguê-los para o proximo desafio. Pelo menos na primeira fase.
é preciso acreditar. Eu acredito. Por isso nao é demais pedir a taçao. Por isso é necessario mostrar tudo o que temos da nossa naçao a dizer que a amamos, sejam cachecois ou bandeiras, de clubes, nacionais, tudo.
Desfraldem-se as bandeiras, pintem-se de verde e vermelho, mascarem-se de esfera armilar...
Amanha estarei em Créteil a ver o jogo na base de loisirs, onde vai decorrer no domingo a festa dos Santos Populares da Radio Alfa. Com o belo cachecol da Académica, que é tudo quanto tenho para demonstrar o orgulho que tenho da minha naçao, da minha selecçao. E espero festejar!
Ja começamos com uma vitoria que foi levar à realidade este europeu, construindo e reconstruindo 10 estadios, gastando uma pipa de massa e dando o nosso melhor. A segunda vitoria podera ser amanha - eu estou confiante nisso!
VIVA PORTUGAL!!!
Um abraço,
Paulo Aroso Campos
Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

terça-feira, junho 08, 2004

"... meti-me nas ruas da alta de Coimbra,
passei pelo Tony..."
Tu metes nojo - "O Violador"


Na passada sexta-feira, e a convite dos meus camardas de residência (pois colegas sao as putas), sai em confraternizaçao prazenteira até um bar nocturno da capital francesa. Fomos pelo RER até a Saint Michel, mesma estaçao da conhecida catedral de Notre Dame. O pub chamava-se, originalmente, Pub Saint Michel.
Constatei, nao com surpresa, que os preços sao proibitivos, pelo menos na visao conimbricense da coisa: uma Amstel (que me fez rapidamente lembrar a Liga dos Campeoes) de pressao custava 4€, e uma caneca da mesma 7€. Por acaso nessa noite tinha decidido nao comprar cerveja no supermercado e fazer uma noite tranquila e sem alcool... o que fui eu pensar!
A minha sorte foi que os tipos, bacanos, me pagaram uma cerveja ainda na residencia, e levaram um saboroso vodka laranja (com creme de banana que limpa o tom alcoolico do vodka - diga-se que era meia garrafa de vodka!). Ao entrarmos, nenhuma confusao com os porteiros por sermos muitos homens; la dentro mulherio nao faltava, sendo de destacar que, agora sim para minha surpresa, havia muitas mesas so com mulheres (em grupos entre 3 e 12!). Subimos para um local confortavel, com umas belas poltronas e uma tv sintonizada no Fashion TV (isto lembra-me qualquer coisa...). A empregada, simpatica e com um agradavel fio dental vermelho que se notava à distância - ainda nao tenho a certeza se era ou nao florescente, mas chamava a atençao de todos os rapazes do pub - veio atender o pessoal e tive a segunda surpresa da noite: os tipos da residencia olhavam de uma forma para a empregada que estive com a impressao que ela seria violada ali, num gang bng orgiaco. Felizmente nada se passou, porem mais à frente na noite apercebi-me que, realmente, os franceses (pelo menos aqueles) sao uns autenticos animais carroceiros, que fazem com que qualquer trabalhador da construçao civil portugues passe por cavalheiro (menos na linguagem, obviamente).
As meninas parisienses, e algumas estrangeiras também, ou têm problemas de visao, ou olham (e provocam) insistentemente para o macho, demonstrando o seu cio, mas sem se pronunciarem, esperando que o macho tome a iniciativa de as abordar, seja directamente com conversa possivel com musica em altos berros, ou através de dançs mais ou menos rituais, a lembrar os rituais de acasalamento animais.
Digo-vos, carissimos e carissimas, que ali o CEREJOADE estaria como peixe na agua! Em dança as meninas francesas apreciam e procuram o contacto; posso demonstra-lo com uma situaçao que se passou com este que vos escreve: à falta de mais conteudo alcoolico, que remedio senao abanar-me na pista, ao ritmo musical (seja qual for o ritmo todos se mexem quase da mesma forma, so que uns mais discretos outros mais espalhafatosos), quando uma menina por sinal bem interessante, acompanhada por outra menina ruiva (nao tao interessante mas também) e pelo namorado (este encostado ao bar), se começa a chegar mim, em dança, e a roçar-se. Ora eu, apos a ter visto com o namorado, fui-me afastando por nao querer problemas; todavia ela continuava a sua dança frentica procurando o contacto e, possivelmente (e naturalmente!) querendo excitar o macho. Um dos rapazes da residencia exclamou alto e carroceiramente em bom som "vai-te à gaja! ela quer-te comer, ela quer-te comer!". Quando lhe disse que ela estava com o namorado, ele exclamou "mas esta a roçar-se a ti...", e sorriu. Bem visto!
Mesmo assim continuei a afastar-me e deixei uns rapazes ficarem à minh frente, e assim nos bloquearem. Com eles ela nao fazia o mesmo...
Passados uns momentos ficamos novamente proximos e a tipa, continuando os seus movimentos, teve um atitude curiosa que, quem ja esteve num bar de strip, conhece: virou-se de frente, em dança sensual, e em vez de olhar para mim olhou para o namorado que estava no bar...
Eles carroceiros, elas malucas, mas sem tomarem a iniciativa de um contacto. Esse tem de partir do macho. Sim, porque mesmo maluca a mulher gosta de se sentir conquistada!
Como vos dissesteis apos uma visita à Covilha, o cavalheirismo esta-se a perder: cavalheiros jamais!
Cumprimentos!

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

quinta-feira, junho 03, 2004

"Bonequinha de borracha,
Vives dentro de uma caixa...
...
sorris com delicadeza
quando te visto de princesa"
Boneca de borracha, Irmaos Catita


Tenho a impressao, nos ultimos tempos, de que o que aqui escrevo da voltas e voltas e acaba por nao ter qualquer significado. A que se deve esta falta de inspiraçao, esta subita perda de coeficiente humoristico sarcastico que caracterizava a minha tao célebre prosapia?
Ora é dificil ter resposta para isso, mas nem sempre, nos breves minutos que tenho disponiveis para escrever mails, para ler os jornais da santa terrinha, de escrever o artigo para o site d'A Cabra, e de ver gajas nuas às escondidas, me deixa espaço imaginativo para vir aqui dar uma escarradela intelectual, ainda mais humoristica.
Isto a vida nao esta para os humoristas, e os dramas vendem sempre muito mais. Ou nao. Senao veja-se o caso que vende na imprensa portuguesa: o Benfica vai ou nao perder a taça de Portugal por causa da falcatrua com o Ricardo Rocha? Fatalidade! O que se fala mais?... deixem-me ver: quem vai ser o proximo treinador do Benfica? Drama! Mas nao é so do Benfica que se fala, ha mais noticias em Portugal, tipo: quem vai substituir o Fernando Santos no Sporting?

E quero dizer, do alto da torre Eiffel, bem alto, enquanto urino (para comprovar a teoria de que parte da urina evapora antes de chegar ca abaixo): e eu com isso?!

Queria saber como foi o primeiro fim de semana do Rock in Rio, néribites; quero saber noticias da Briosa, nada; quero saber como anda o pais: Casa Pia...

Como nada de importante se passa no meu pais, enquanto jantava no outro dia junto a duas morenaças e uma loura bombaça, estava a admirar um tipo (porque nao podia estar sempre a olhar para as tres que estavam ao meu lado, e a baba nao me dava grande aparencia de macho) que parecia um actor que entrava no programa da Maria Rueff, que fazia de intelectual de esquerda na cena com o Zé Manel taxista. O gajo era tal e qual, oculos de tartaruga, face castiça. Quando passava uma tipa jeitosa, o tipo deixava cair a comida que tinha na boca e fazia daqueles sorrisos amarelos de quem é apanhado em flagrante delito. Depois balbuciava umas palavras na direcçao da menina que, ao passar, nem via a hilariaridade da cena.
Para aumentar a gargalhada, por enquanto interna, e ao ver um grupo de malta a levantar-se com os tabuleiros na mao, do que me lembrei (e porque me lembrei disto?!): do videoclip da musica "Push the tempo", em que a malta toda, mal começava a ouvir a cançao, nao conseguia segurar a vontade do corpo em dançar à parva!
Nesta altura começo a rir, apesar do esforço para nao parecer parvinho por me rir sozinho ao pé daquelas 3 belas jovens, e, qual doença contagiosa, começam-se também a rir.
Infelizmente foi o unico contacto que tivemos - trocar gargalhadas. Apos isso terminei a minha refeiçao e fui-me embora...
Isto nao tem nada a ver, e continuo com a ideia que nao disse nada.
Mas porque é que hei-de dizer alguma coisa de interessante?

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

quinta-feira, maio 27, 2004

MAR AZUL, MAR PORTUGUES

Mais uma vez o Porto deu alegrias, aos seus adeptos e a Portugal. é verdade que nao foi dos jogos mais bonitos de se ver, mas com o nervosismo so apos o jogo terminar é que da para fazer uma analise mais a frio. Mas os jogos em que nossa equipa joga mal e ganha, conquistando um troféu, sao sempre bons. E mais a mais sinto que o jogo foi mau, mas esse mau foi calculado, porque interessava que fosse tactico, pressionante, condicionante de imaginaçao e de técnica, que so surgiu em poucas ocasioes, ora por Carlos Alberto, ora por Ibarra.
Devo salientar, para quem nao me conhece muito bem, que gosto do Porto mas o meu clube de coraçao é a Académica de Coimbra, a Briosa. Muitos que me viram ontem com um cachecol maioritariamente preto com um lindo simbolo em losango, e umas palavras esquisitas, enquanto ia da minha residencia para a residencia de Portugal (onde vi o jogo), devem-se ter perguntado porquê de algum croata ou montenegrino andava de cachecol da bola. Foi com a briosa que vi o jogo, que senti a tensao de um adepto ferrenho, que me emocionei, que vibrei com os golos, que suspirei aos 88 minutos, e com o marcador a 3-0, que finalmente vi que o FCP era campeao europeu. Que nada, ninguém, poderia evitar o evidente: a superioridade do dragao na europa do futebol.
Lamento algumas bocas que ouvi, muitas na brincadeira no inicio do jogo, mas com uma pontinha de ansiedade e de arrogancia: adeptos do benfica que viram o jogo, e que por terem ganho uma simples taça de Portugal ao fim de 8 anos, parece que sao a melhor equipa à face da terra. é por essa arrogancia, esse nao saber estar no futebol que eu detesto e desprezo a maioria dos benfiquistas. A ansiedade deles era por nao poderem mais usar o argumento historico das taças europeias que ganharam à uns 40 anos, e que sao o clube de Portugal com mais palmarés. Neste momento o seu maior palmarés é em taças e campeonatos nacionais, maioria conquistados a meio do século passado...
Foi um desabafo. Saiu porque eles nao ganham e nao sabem ver os outros ganhar, mesmo quando se trata de uma competiçao para a qual é o pais que sai dignificado, com jogadores que jogam na nossa selecçao e que podem motivar para um europeu que chega. A vaidade e arrogancia com que criticam um excelente técnico como o José Mourinho, que eles mandaram embora pela porta pequena (que ele fez com que fosse grande), e que estou seguro, os levaria à vitoria no campeonato a longo prazo. Criticar alguém avulso, so porque ele preferiu mastigar o momento com os filhos e a mulher é algo que me avilta, e que me da vontade de dizer que muitos dos benfiquistas enterram mais dinheiro no SLB, e festejam mais as suas vitorias, do que festas privadas e de familia. Deve ser essa a mistica da familia benfiquista, que nao compreendo nem quero compreender.
Alonguei-me sobre algo que nao queria falar, mas que nao consegui manter preso. Mas agora convém reflectir: sera que estes titulos sao obra do Sr. Mourinho? Ou o clube, com toda a sua envolvência, simplesmente possibilitou a que um grande treinador colocasse esta equipa nos pincaros da Europa?
Eu acho que o FC Porto sem o Mourinho nao sera tao forte; e também acho que o Mourinho sem o FC Porto nao sera tao forte. é preciso uma grande equipa, com grandes intervinientes (no campo e fora dele, na administraçao também) para dotar a equipa das melhores condiçoes, dar ao técnico a calma, os jogadores (dentro do orçamento), as condiçoes fisicas, morais e psicologicas, para, em dois anos, uma equipa estar ao seu mais alto nivel, superar-se, e conseguir estar ao mais alto nivel europeu. No futebol actual nem o Real Madrid e os seus galacticos, nem o Milan, ou o Arsenal, Manchester ou Chelsea, que têm orçamentos fabulosos.
O FC Porto poderia ter vendido varios jogadores no inicio desta época, e manteve-os mesmo sabendo que auferiam altos salarios, e qua nao entraria dinheiro nos cofres; venderam o Postiga porque ha necessidade de equilibrar as contas, e porque era substituivel. Neste momento, e com a campanha feita na Liga dos Campeoes, vê-se a retoma do investimento: nao em novos jogadores, mas nos mesmos com melhores objectivos.
Acredito que alguns sigam com o Mourinho para o Chelsea (pelo menos o Ricardo Carvalho, o Paulo Ferreira, e o Costinha ou o Deco ou o Maniche). Este grupo de jogadores é muito dificil de manter, e mesmo o Derlei nao deve ser facil. Mesmo que um administrador tenha dito que bastava vender um jogador para equilibrar as contas, o clube nao pode evitar a ambiçao dos seus jogadores, nem pode almejar a manter-se um terceiro ano nos pincaros da europa. Penso que agora ha que preparar uma proxima equipa de campeoes, para a proxima década. Entretanto é continuar a arrecadar titulos nacionais.
Pelo Porto, e na terra do "inimigo", passei hoje um dia felicissimo e com um sorriso nos labios. Por varias vezes, no metro, na residencia, me deu vontade de gritar bem alto: "POOOORTOOOOO"! Mas por respeito pelos derrotados, e por respeito pelo meu bem estar, fiquei-me pela visao que seria eu tomar uma atitude dessas, e mantive o meu sorriso de alegria, agradecendo as varias felicitaçoes que me foram atribuidas. Sabe bem ser melhor que os outros!
Caiu a crista do Galo... e ainda por cima por causa de um portugues!


Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

sexta-feira, maio 21, 2004

" Dorme enquanto eu velo...
Deixa-me sonhar...
nada em mim é risonho.
Quero-te para sonho,
nao para te amar.

A tua carne calma
é fria em meu querer.
Os meus desejos sao cansaços.
Nem quero ter nos meus braços
meu sonho do teu ser.

Dorme, dorme. Dorme,
vaga em teu sorrir...
sonho-te tao atento
que o sonho é encantamento
e eu sonho sem sentir."

Fernando Pessoa, Cancioneiro


Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

terça-feira, maio 18, 2004

Nao tenho assim nada para dizer mas tive vontade de escrever qualquer coisa, nao sei bem o quê.
Falta um desbloqueador de conversa, e tal, mas na escrita nao resulta muito bem utilizar um desbloqueador de conversa, porque esta (conversa) nao existe! So se for imaginada... e nao estou com imaginaçao, logo seria como fazer sexo consigo proprio (nao sendo hermafrodita, obviamente!).
Quando nao tem mais nada para se fazer, costuma-se dizer "ah, e tal, isto até esta bom tempo, e tal"; "ah, e tal, isto anda-se um bocado cansado, e nao sei quê"; ou entao aquele longo suspiro "aaaaaaaaaiiiiii..." seguido do tipico " pois, ca estamos, e tal...". A expressao "e tal" é como a outra do "ou nao" mas na positiva: pode-se usar em tudo para ter milhoes de significados! Deve ser uma das melhores invençoes linguisticas a seguir à propria comunicaçao falada. Imaginem este dialogo:
"'Tas bom, e tal?
- Na maior, e tal!"
Ou então:
Ela - O que vais fazer com isso que tens entre as pernas?
Ele - Coiso, e tal!

Nao faz sentido nenhum!
Bom, quanto a tempo temos dias de calor, toda a gente se veste de forma fresca, confortavel e garrido. As meninas decidem passear os seus decotes, e pavonear-se de saias pelos mais variados locais, enchendo de glamour qualquer lugar. Leva-me a pensar que, pelas posiçoes mais ortodoxas por vezes assumidas, as francesas nao estao muito habituadas a usar saias... ou entao nao estao habituadas a que reparem, e cruzam as pernas mesmo à nossa frente, ou entao nao se importam com isso: afinal na praia usam algo muito semelhante a cuecas, e toda a gente vê! Mas convenhamos que um joelhito a ser destapado pela racha da saia torna tudo muito mais excitante!

Para que nao me julguem tarado, porque tem dias, deixo uma pequena noticia que li no jornal, e apos uma poesia de Antonio Gedeao que acho fantastica.
A noticia fala de um estudo feito por duas universidades, uma americana e outra australiana, em que os homens que ejaculam até 21 vezes por mes têm menos 50% de possibilidades de ter cancro da prostata. Mais à frente o jornalista opina: sabendo que, em média, um homem tem "rapports" sexuais 7 vezes por mês, o restante terà de ser auto-estimulaçao! Por motivos terapeuticos, pois claro! Por isso toca a dar musculo ao punho (curiosamente punho em francês é poignet, que se lê "puanhet"...)!
Passando à poesia, que a maioria nao lerà porque ja esta na casa de banho a vomitar.

Antonio Gedeão - Lagrima de Preta
"Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio."




Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

segunda-feira, maio 17, 2004

... e nao é que foi mesmo?!

Pois é meus caros e caras leitores. Foi mesmo um dia para mais tarde recordar. Ou nao. Da parte que me toca (principalmente a garganta e paredes estomacais, bem como o sangue que teve o prezer e deleite, ou nao, de transportar enormes quantidades de bolhas de cerveja, precioso liquido amarelo que apraz aos deuses) deu para tirar o gosto amargo de nao ter estado em nenhuma noite da Queima das Fitas da bela Lusa Atenas, essa Coimbra que transporto no pensamento e no sangue para todo o local que và. Outra vantagem foi o de estar no lado oposto onde costumo estar, ou seja, dentro do bar. Assim, além da valentissima, solenissima e potentissima bebedeira, tive uma agradavel noite servil de atendimento ao cliente. Obvio que a atençao prestada às meninas era um pouco diferente, principalmente às bonitas, mas o atendimento tem de ter um pouco de charme (que eu porventura imagino que até tenha tido, a espaços. Esta bem, torna-se dificil mas pode haver alguém que ache, e tal... bom, talvez nao.); mesmo assim os homens eram tratados com toda a cordialidade, mas o homem esta nestas situaçoes, expressamente, para beber, e ser bem servido, e nao para ser tratado com falinhas mansas. A mulher tem outra maneira de ser e gosta sempre de uma palavrinha simpatica, um sorriso, enfim, um atendimento mais personalizado. Nesse aspecto os franceses sao umas bestas porque estao-se a cagar com quem vem: recebe senha, prepara bebida (muitas vezes mal servida), dà à pessoa e nao esboça a minima emoçao, ainda que falsa. Talvez por isso eu, e o meu comparsa portugues que conheci la no bar (a historia de que ha sempre um portugues é verdade), eramos os que tinham mais gente a fazer pedidos. E realce-se que mesmo com os copos servia cerveja de alto gabarito!
O unico derrotado desta aventura é, possivelmente, o meu cérebro. Como ja é minha caracteristica, principalmente para aqueles que ja me conhecem algo mais intimamente (no sentido estrito), com a bebedeira vem-me uma amnésia desgraçada. Assim, mal sai do bar às duas da manhã, lembro-me de me terem dado duas smirnoff ice para a mao e depois so me lembro de ir para casa aos tropeçoes: nunca a frase "vai com deus" foi tao mal aplicada, porque o Respectivo (com R grande) passou o caminho todo a passar-me rasteiras. Se cheguei a casa de noite ou de dia nao me lembro. Deve ter sido de dia porque quando acordei tinha a persiana toda fechada, mas isso também nao prova nada.
Quando acordei no domingo pensei aquilo que toda a gente pensa apos uma noite mais bebida: nunca mais bebo! A seguir ao banho é que reparei que, afinal, pronunciei esse pensamento da boca pra fora e que, afinal, ainda tinha alcool no sangue. Por isso fui para a Casa de Portugal onde havia um belo repasto, ao ar livre, de sardinha (ou chouriço, mas optei pelo peixe) assada, acompanhada por um bolinho de bacalhau, salada de pimento, um pao e uma bebida à escolha (para nao misturar, e para tirar o sabor da Kro, fui para a fantastica Super Bock - a tipica, nada dessas paneleirices verdes...), e por la fiquei a comer, descansado na relva, ao sol. Depois os folioes brasileiros, ao lado, abriram também um bar com som do Brasil (toda a malta a dançar - nao, eu nao! Poupei muita gente, e a mim mesmo, esse show doentio!), com caipirinhas, e tal...
Da minha parte mantive-me fiel à Super Bock e aos tremoços, que eram oferecidos na compra do precioso liquido amarelo. Como aqui o dinheiro nao abunda, e a noite anterior tinha sido de miséria, e faltavam umas quantas pessoas para compor o ramalhete, deixei-me estar somente até à terceira, pelo que pelas 18h (ja tinha apanhado um pouco de sol) me fui embora.
Ficou na boca o gosto maravilhoso de uma saudosa noite conimbricence, com outro sabor - também especial, apraz dizer - e uma pequena nostalgia, de que é nestes momentos que se passam a sos que mais recordamos todos aqueles que amamos, e que dariamos seguramente um dedo (ou o braço do vizinho; ou, se nao tivesse namorada, de bom grado praticaria sexo oral com as miudas que estavam ao meu lado na relva, argentinas, umas queridas! Bem, se calhar isto ja é exagero - Sandra estou a brincar!!!) para ter-vos a todos, ali na relva, a apanhar um bronze, beber uma cerveja (ou outra coisa para quem nao bebe), jogar uma suecada, enfim, tainar!
Grande beijinho para as meninas, um abraço para os machos.
Saudade, de Paris!

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

sexta-feira, maio 14, 2004

A MINHA (PEQUENA) QUEIMA DESTE ANO

Neste fim de semana realiza-se uma festa ao ar livre na Cité Universitaire, em que a entrada é gratis, so se pagando os consumos. Claro que nao serao baratos mas eu ja me preveni, num episodio a que chamo, carinhosamente, A Minha Queima Deste Ano (ano ano no no o o o ) - é o éco, se bem que neste blog os efeitos especiais sao dos mais reles por ter de dispensar dinheiro noutras coisas.
Assim neste sabado para domingo consegui uma colocaçao num dos bares que serve de apoio à festa, durante um turno de 3 horas, e que pode ir das 20h-23, das 23h-2h ou das 2h-5h.
Ha um concerto ao ar livre, com três bandas que a mim nada me dizem, este durante o primeiro turno. Apos isso, durante os outros dois, ha DJ's a debitar musica electronica. Além disso pelas vàrias residencias podem haver outras festas (estas dentro de portas) e poder-se-à circular por tudo porque, à partida, é tudo de entrada livre. Também ha varias manifestaçoes culturais durante todo o dia de sabado e a manha de domingo.
Pela minha participaçao/colaboraçao no bar serei pago de uma quantia em senhas de bebida, e penso que o jantar também. Essa quantia, ai na Queima, dar-me-ia para 10 finos, mais os que debitaria em meu favor (claro, nao! Sou tuga, tenho que roubar!... ai nao, isso é com os ciganos... ou serà que nao?). Aqui, devido à inflacçao inerente da posiçao mais a norte, e pelo facto de ser necessario amealhar algum para a festa, so dara para 5 finos (3€ cada um! Chiça!!!).
Como disse para os efeitos especiais, a minha atençao monetaria desvia-se para outros recantos, por isso (e por muito futil que isso possa parecer, so pensar em beber para me divertir numa festa) ja fiz umas compras à parte para me garantir.
Peto-Zeto, se tiver oportunidade tiro umas fotos às gajas e envio-te com todo o prazer. Nao estejas à espera de nudez nem fios dentais porque sou um rapaz comprometido e nao me posso meter nesses vicios; depois a Sandra nao so me dava uma coça (porque provavelmente tem mais força que eu), como passaria, muito certamente, para o grupo dos celibatarios... o prejuizo é muito grande, apesar de apreciar muito a companhia de todos, celibatarios ou nao.
Assim como assim, e para justificar o facto do alcoolismo, tenho que encher a cara porque o projecto vai muito mal, trabalho como uma mula (finalmente reconheço as vantagens de se trabalhar com um colega), levanto-me às 7h da matina e acabo o trabalho muitas vezes às 18h... ferramentas é comigo! Ou nao...
Alem disso escrever com esta puta deste teclado e aturar a puta da lingua francesa todos os dias é uma seca. Quanto à cidade estou-me a habituar a gostar dela. Digamos que o clima é uma valente merda porque é raro nao chover ou nao estar cinzento, mas quando esta sol é prazenteiro. Fazendo uma comparaçao para os machos, porque o homem tem menos sensibilidade para compreender estas coisas, Paris é como aquelas gajas timidas, simples, que andam sempre de roupa larga e escura, e que num dia de sol e calor decidem trazer um top justinho e decotado, e umas calças brancas apertadas; nao so reparamos que, afinal, a tipa é tesuda e tem um belo par de mamas, como a zona do rabo se mostra de uma qualidade bem torneada e apertadinha. Peço desculpa pela descriçao às mulheres que costumam ler este blog, mas foi necessario libertar esta pérola de conversa masculina e em bom português.
Finalmente, e para terminar, descobri que das 6 pessoas que lêem o meu blog, um sou eu, outra é a Sandra. Os outros dois que nao sao incognitos sao o Joao, o Vasco (que ja o disse pessoalmente. Abraço à familia, Vascão!), e um brasuca de nome Edminilson Petrolina, que pela matricula deve ser chulo da bola, assim tipo Roberto Capucci.
Na segunda feira, tendo tempo, volto a escrever, para mal dos vossos pecados.
Estais dispensados, podeis ir ao vomitorio!

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

quinta-feira, maio 13, 2004

SCOLARI, SELECçAO E AFINS - consideraçoes futebolisticas

Estive agora à hora de almoço a ouvir a entrevista que o Scolari deu à Antena 1, transmitida pela Radio Alfa, e confesso que admiro o senhor; mais: acho que ele é um bom treinador, e que (se os jogadores quiserem) pode levar Portugal ao titulo Europeu.
Ele é um ganhador, um organizador, um treinador que joga muito com a preparaçao fisica e psicologica dos jogadores. Igual a ele, nesse tipo de parametros temos o José Mourinho, so que o Mourinho tem sucesso e o Scolari (em Portugal) ainda nao teve. Mas é ele que està em campo? é ele que està desatento nos livres, é ele que falha golos?
é a diferença entre besta e bestial: Antonio Oliveira foi genial ao colocar Portugal no Mundial 02, mas uma besta apos o mundial. Isso pode acontecer com qualquer treinador, veja-se o Carlos Queiros, do qual aprecio muito e que nao teve sucesso no Real Madrid (o Mourinho vaticinou isso mesmo na entrevista que deu à algum tempo na RTP, nao directamente, mas dizendo que nao aceitaria ir para Madrid porque havia demasiado vedetismo).
Scolari e Mourinho sao muito parecidos, por isso o choque frontal de caracteres. Mas ele assume o seu ponto de vista perante todos e julgo que ele vive a selecçao e vive Portugal. Nao houve uma unica vez que ele disse "a selecçao de Portugal", disse sempre "a nossa selecçao... o nosso pais... os nossos jogadores", e mais a frente rectificou que "apesar de nao ter nascido em Portugal trabalhava e vivia em Portugal e para Portugal, logo tem de se identificar com o espirito e com as pessoas, para fazer um bom trabalho e, se possivel, mudar algumas coisas na mentalidade do jogador portugues".
Gostei de o ouvir, gostei da forma como ele manteve a sua palavra, a sua frontalidade e tenho a certeza que por ele seremos campeoes. O futebol nao é logico mas para muitas coisas basta querer, e foi nisso que o Mourinho conquistou: o querer dos jogadores. O FC Porto teve 2 estrangeiros na equipa inicial que fez aquele jogo fantastico na Corunha, logo os futebolistas portugueses sao capazes de jogar ao maximo nivel e cometerem o minimo de erros. Se o FC Porto é capaz, porque nao a Selecçao?
Gostei também quando lhe perguntaram sobre guarda-redes que ia levar, ele disse ter duas opçoes: ou levava 3 experientes, ou dois experientes e um jovem para o integrar. Mencionaram o Baia e ele falou que se falavamos no Baia tinhamos também de falar do Hilario, do Nelson, do Pedro Roma, que também sao experientes e fizeram uma optima época.
Como se vê ele esta atento e quer ganhar; sera que os jogadores também querem? Acredito em Portugal. Mais dificil que construir uma equipa era construir os 10 estadios e acessibilidades a tempo: estao praticamente terminados...

Para terminar um apontamento hilariante: finalmente o Secretàrio chegou ao fim... :D

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

terça-feira, maio 11, 2004

Queima das Fitas de Coimbra - Paralelo

À um ano, a esta hora (de Portugal) ja marchava eu pela alta de Coimbra, de carro em carro, à procura de amigos que fossem no respectivo cortejo. Nesta altura também ja tinha 3 cervejas no focinho, se bem que as duas primeiras ainda eram as ultimas do dia anterior (facil de perceber se disser que sai do parque com uma cerveja para apanhar o autocarro e, quando cheguei ao cortejo, deram-me logo uma fresquinha... tanto que até arrepiava!) e passeava a minha classe (ou nao) de estudante boémio pelas ruas polvilhadas de carros alegoricos, doutores e muita alegria.
Este ano nao estou presente; pela primeira vez falto a mais do que uma noite da queima num mesmo ano, o que me deixa ligeiramente saudoso. Por isso, para comemorar, hoje ao almoço bebi uma cerveja e lembrei-me de todos vos que estais nesta hora na folia de um cortejo.
Bem hajam a todos, um dia e noite muito feliz, bebam bem (o que nem sempre quer dizer muito) e curtam bem até sexta-feira.
Beijinhos para as meninas, abraço para os machos!
De Paris,
Paulo Aroso Campos

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

sábado, maio 08, 2004

Sérgio Godinho no Café de la Danse

Sérgio Godinho é, de facto, um senhor da musica portuguesa. Na sexta feira, 7 de Maio, tive oportunidade de confirmar isso com a vinda dele ao Café de la Danse, para um espectaculo integrado nas comemoraçoes da Revoluçao do 25 de Abril. Promovido pela Associaçao Cap Magellan, este concerto serviu para terminar as ditas comemoraçoes.
Surgiu em palco uma banda cheia de jovens, muitos deles mais novos que a propria carreira do Sérgio, julgo eu, e com uma sonoridade bastante diversificada. Os temas antigos do baladeiro, que tocava de guitarra aos ombros, surgiram convertidos em musicas rock, ska, e de outras sonoridades que nao posso classificar por falta de cultura musical, bastante apelativas e prazenteiras de se seguir. Sérgio surgiu igual a si proprio, vestido de forma jovial, contrastando os seus cabelos brancos e rugas com os jovens que o acompanham. Mas nem por isso o musico esta velho! Teatralizando as musicas, aguentando todo o espectaculo no palco, mostrando irreverência, energia e força, tocando uma musica so, encheu o espaço fantastico proporcionado pelo Café de la Danse.
Ouvi, deliciado, um cantor que nem sempre fez parte dos meus favoritos. Lembro-me d'Os amigos de Gaspar, d'A arvore dos estapafurdios, e de uma variedade de musicas dele mais antigas, como a Etelvina ou Com um brilhozinho nos olhos, mas nunca me interessei muito. A minha curiosidade foi suscitada por um concerto que ele deu numa Queima das Fitas de Coimbra, apos a saida de um album ao vivo, onde ele tocava com varios convidados. Entre estes estava Kalu, baterista dos Xutos e Pontapés, e o seu espectaculo na Queima acordou todos e mexeu com o publico. Foi fantastico!
Actualmente, no album "o irmao do meio" ja se consegue perceber a "nova" sonoridade de Sérgio Godinho. Quem ouve nao repara na diferença de idades dos intervenientes mas so na sua compacidade, na energia que dao a todas as musicas, a forma como comunicam antes durante e depois. Escutar "o homem dos 7 instrumentos" num estilo ska mais proximo da sonoridade dos Despe e Siga é qualquer coisa de fenomenal.
So mesmo assistindo. Para todas as idades, para todas as plateias. Por isso acho que ele, tal como Rui Veloso, Jorge Palma e outros, sao senhores na musica portuguesa. Letras diversas, com critica, humor, arte, passando pelos temas mais diversificados, numa sonoridade que varia entre o mais recente e o mais tradicional, tornam qualquer serão um momento prazenteiro.
Dei por bem empregues os meus 15€ (que nem é caro para um concerto em Paris), e por bem empregue o meu tempo.
Agora seguem-se os Xutos e Pontapés, nas festas de Santo Antonio da Radio Alfa, em Créteil. Juntamente actuarão Mariza, Fernando Girão e mais uns quantos de repertorio mais pimba, dos quais nao me recordo do nome. Para os seis leitores que vêm frequentemente a esta pàgina (e nao sou eu seis vezes!) espero que se estejam a divertir com a Queima das Fitas de Coimbra.
Forte abraço (ou beijinhos) de saudade!

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

quinta-feira, maio 06, 2004

SENSAçOES, EMOçOES

Conheci-te. Anonima, so, indefesa. Trocàmos olhares, informaçoes, coisa pouca. Guardei-te na memoria - ficaste num recanto, num corredor aberto, passavel e iluminado.
Contacto. A medo. Como foi? Como é? Como serà?
Ligo-te? Não te ligo?...
Como confiar? Primeiro olhar, tantas palavras sem falar. Quem sou, como apareço? Confiavel ou nao? Anonimo, inocente, observador atento, timido e indefeso?
Voz, som. Como mel. Suave, quente, doce. A envolvência do mel numa torrada quente, acabada de saltar da torradeira, usada como esponja para espalhar o seu doce charme.
Imagem. Linda, jovial, sorriso contagiante. A mesma voz. O sorriso, a melodia, o olhar.
Atracção? Suspiro, respiro fundo. Novamente. Inteligente e obstinada. Observo, escuto, encanto.
Escuro.
Som interrompe... telefone, campainha?
Alarme. Acordo...


NOSTALGIA, NUM COPO DE CERVEJA

estou feliz e expresso-o em làgrimas; estou feliz e saudoso. Bebo cerveja, sinto o sabor e recordo outras alturas. Mesa cheia de copos, tremoços quanto baste. Mais finos, alefria, jovialidade. Festa, comemoraçao, qualquer coisa serve para uma reuniao em torno desse liquido magico milenar.
Até o recordar, o lembrar com saudade. Passado recente, passado distante.
Coraçao bate forte, suspiro forte para aguentar teimosamente a làgrima que tenta escorrer pelo canto do olho. Liberdade! - ela desce e mostra o caminho às outras, qual espermatozoide activo ansioso por criar, dar vida.
Caem mais pelo mesmo sitio, olho vizinho imita. A frescura da cerveja traz a fraqueza do mais humano. A fermentaçao do cereal lembra o crescimento de uma amizade, o endurecimento de um amor, a chama de uma paixão.
O nariz junta-se à festa e pinga, os olhos fecham e expelem o sabor do mar. Posição fetal, respiraçao soluçante. Baba e ranho como uma criança.
Mudo, cresço, sinto-me diferente. Ao espelho a imagem é a mesma. Serà, serei?
Nostalgia, cerveja, saudade.

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

terça-feira, maio 04, 2004

Uma maior solidão
Lentamente se aproxima
Do meu triste coração.
Enevoa-se-me o ser
Como um olhar a cegar,
A cegar, a escurecer.

Jazo-me sem nexo, ou fim...
Tanto nada quis de nada,
Que hoje nada o quer de mim.



Fernando Pessoa, 23-10-1931

Paris, 6:55

Acordo. A informaçao de transito informa que ha 215 km de filas de transito à volta da capital, por 10 km nao se bate o "record". Acordo.
Começam as noticias quando me levanto e me preparo para tomar banho. Està sol... até quando? Nao ha um dia que nao chova, nao ha um dia que nao haja sol. Fazes-me falta, sinto-te ao meu lado, o teu calor e respiraçao, mas nao te vejo.
Solidao. Nao se ve, nao se toca, mas sente-se.
Respiro fundo, sinto o ar a entrar, a passear por bronquios e a sair. Vejo-o em liberdade perante os meus olhos, a diluir-se na restante atmosfera matinal do quarto.
Esta sol, esta quente, dia bonito. Ouvem-se os passaros no parque, ouvem-se crianças a brincar, vêm-se as pessoas a sorrir... afinal o mundo nao acabou hoje!
Felizmente!



Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

segunda-feira, maio 03, 2004

"Por mais gente que a gente se iluda, a triste verdade é que a democracia e a liberdade não se impõem nem por eleições, nem por decreto, nem por hábito: faz parte da educação com que se nasce."
Miguel Sousa Tavares, in "A Bola"


25 de Abril - a continuar...

O 25 de Abril foi um acontecimento fantastico. Trouxe muitas coisas boas, mas a melhor de todas foi, sem duvida, a liberdade.
Liberdade é um conceito muito dificil porque, como se poderà definir liberdade? Mesmo num sistema democratico ha regras que nos limitam a liberdade, mas isso torna-se obvio para haver uma certa ordem. Nao concebo como possivel que consiga haver ordem com liberdade total para todos, porque basta alguém usar a sua liberdade contra outrém que està, indelevelmente, a restringir a liberdade do outro.
Não vivi num sistema enjaulado como esse, nem gostaria de viver. Uma das piores coisas que pode haver deve ser o nao nos podermos exprimir livremente, o nao podermos confiar em ninguém sob pena de sermos entregues.
Nao falar, nao confiar...
Agora fala-se de tudo, até de coisas a mais... no dia 25 de Abril ouvi um trecho de uma entrevista, na radio Alfa, a um militar do Regimento das Caldas que foi um dos que abriu a prisão de Peniche. A paginas tantas ele teve uma frase que, quanto a mim, estragou tudo de bom que ele tenha feito ao participar no movimento. Foi qualquer coisa como isto: "os jovens agora nao entendem a liberdade porque nunca viveram sem ela, e esta geraçao nao entende o 25 de Abril"; depois continuou: "quando vim para França para as comemoraçoes nos arredores de Paris, sai de madrugada e nao entendo como podem os jovens agora sair das discotecas ao nascer do sol...". Da vontade de perguntar: nao foi por esta liberdade que lutaste?

Tenho reparado que ha uma vontade enorme de muitos dos homens que fizeram Abril de envelhecer e passar à reforma, para poderem criticar a geraçao a seguir. Eles falam da nossa geraçao como alguém indiferente, que nao entende a luta deles e que nao lhes agradece o que eles fizeram; mas porquê agradecer, se o que fizeram foi para o bem deles proprios? Afinal eles é que estavam vivos na altura, nos nao tinhamos ainda nascido!
Nao é a geraçao que nasceu em Abril de 74 que està no volante, ainda sao os que viveram e foram educados sob o fascismo. Custa-me muito ver que tantos que lutaram pela liberdade nao entendem o proprio conceito nem aquilo pelo qual lutaram.
Felizmente o povo português é critico o suficiente para saber usar a sua liberdade de expressao de uma forma critica, contundente. Nao seremos subtis como o foram grandes escritores, poetas e pensadores do passado, mas saberemos dirigir melhor o barco do que eles alguma vez o fizeram - se eles nos permitirem fazê-lo!

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

quinta-feira, abril 29, 2004

25 de Abril - O começo:

Paulo de Carvalho : E depois do Adeus
Música: José Calvário
Letra: José Niza
www.songcontest.nl
(vencedora do festival da canção de 1974)
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Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.

Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder

Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci

E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei...

E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós



Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

terça-feira, abril 20, 2004

25 de Abril - Liberdades

Para a semana espero escrever um post sobre o 25 de Abril, de como é entendida a liberdade em Portugal e pelos portugueses, e como é entendida a democracia no nosso belo rectangulo.
Por agora deixo a letra de uma musica do Jorge Palma, que foi entrevistado no sàbado para a Ràdio Alfa, tal como o Sérgio Godinho. Este ultimo vem a Paris no dia 7 de Maio, no ambito das comemoraçoes do 25 de Abril. Espero poder ir assistir, até porque o Jorge Palma ia tentar "meter uma cunha" para também vir.
A cançao chama-se "Jeremias o Fora-da-Lei". Aqui fica, com os meus sinceros cumprimentos aos meus 6 leitores ;).

Jeremias, O Fora da Lei
Vou falar-vos dum curioso personagem: Jeremias, o fora-da-lei
Descendente por linha travessa do famigerado Zé do Telhado
Jeremias dedicou-se desde tenra idade ao fabrico da bomba caseira
Cuja eloquência sempre o deixou maravilhado

Para Jeremias nada se assemelha à magia da dinamite
A não ser talvez o rugir apaixonado das mais profundas entranhas da terra
E só quando as fachadas dos edifícios públicos explodirem numa gargalhada
Será realmente pública a lei que as leis encerram

Há quem veja em Jeremias apenas mais uma vítima da sociedade
Muito embora ele tenha a esse respeito uma opinião bem particular
É que enquanto um criminoso tem uma certa tendência natural para ser vitimado
Jeremias nunca encontrou razões para se culpar

Porque nunca foi a ambição, nem a vingança, que o levou a desprezar a lei
E jamais lhe passou pela cabeça tentar alterar a Constituição
Como um poeta ele desarranja o pesadelo para lá dos limites legais
Foragido por amor ao que é belo e por vocação

Jeremias gosta do guarda roupa negro e dos mitos do fora-da-lei
Gosta do calor da aguardente e de seguir remando contra a maré
Gosta da forma como os homens respeitáveis se engasgam quando falam dele
E da forma como as mulheres murmuram: fora-da-lei

Gosta de tesouros e mapas sobretudo daqueles que o tempo mais maltratou
Gosta de brincar com o destino e nem o próprio inferno o apavora
Não estando disposto a esperar que a humanidade venha alguma vez a ser melhor
Jeremias escolheu o seu lugar do lado de fora
Jeremias escolheu o seu lugar do lado de fora



Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

segunda-feira, abril 19, 2004

Religião e religiosidades, a proposito da Pàscoa

Fui na sexta-feira passada a um concerto dado por uma americana, cantora profissional, a um grupo de pessoal variado que tem cursos de inglês para franceses; como a mim me da jeito o inverso, ou seja, treinar o meu frances, la fui n expectativa de falar um pouco das duas linguas, desenferrujar, e conhecer gente.
Ao que parece essa associaçao faz parte de um grupo protestante, mas acolhem todo o tipo de pessoas que queriam entrar nas actividades, seja nos grupos de inglês, seja nos pic-nics que fazem ao fim de semana, seja nas vezes que se encontram para um pouco de desporto, ou em "soirées" casuais, como essa de 6a feira, e outras em que foram assistir ao filme "A paixao de Cristo" (que também espero ainda assistir, se ja nao tiver saido das salas).
O que me leva a escrever sao dois assuntos que nao estarao bem ligados: a "palestra" dada por um professor doutor em belas artes, e que versou o tema da pàscoa e ressurreiçao, e a estranheza das pessoas com quem falei quererem perceber o porquê de eu nao abraçar qualquer religião (eles vincaram bem o facto de ser ateu, apesar de nao me considerar bem nesse intervalo, mas sim a tentar perceber o fenomeno religioso).
Assim, o douto professor referiu-se a uma sondagem, em como 45% dos franceses acreditavam na ressurreiçao (depois sublinhou que a sondagem fora feita apenas aos cristaos); depois falou e falou sobre a pascoa e sobre esse fenomeno de ressurreiçao, de viver apos a morte.
é algo que eu acho estranho na igreja catolica (diga-se religiao cristã): eles tendem a querer demonstrar aos outros, nao crentes (alguém que eles consideram como perdido e pobre de espirito) que aquilo que dizem é verdade porque està escrito num livro com muitas metaforas e escrito à milhares de anos, com as devidas imprecisoes (nao so de traduçao como da forma como as pessoas viam certos fenomenos na altura); mais do que isso: nunca acreditaram na ressureiçao dos Faraos egipcios porque, segundo diziam, a sua religiao (com o deus unico Iahvé) era a unica existente, porém querem fazer crer aos outros que na sua (unica religiao) houve alguem a ressuscitar, tal como se dizia que os faraos faziam. Outro ponto que me parece importante e que eles nao se cansam de sublinhar, é que os cristaos sairam do Egipto porque la eram escravizados, e passaram por enormes tormentos até chegarem à sua terra, que eles criaram e cultivaram com o seu suor e sangue e chamaram seu pais. Até ai tudo bem, mas ja se provou que os unicos "escravizados" no antigo Egipto - e que nao o eram bem, tinham uma especie de contrato em que trabalhavam para um templo durante certos anos apos o que eram livres de voltar para o seu pais ou de permanecer no Egipto, sendo pagos pelo seu trabalho - eram os prisioneiros de guerra, que os hebreus (cristaos) eram peritos na arte de fazer tijolos, artesãos bem experimentados e bem pagos, que ajudaram na construçao das capitais de Faraos como Akhenaton (que também acreditava num deus unico, Ra, deus Sol) e Ramsés II. Para terminar, convem dizer que os hebreus, como povo, também tinham escravos, podendo eles escravizar mas nao trabalhar para outrém...
No caso das pessoas tentarem saber o porque de nao ter religiao, ou nao ser catolico, muçulmano, o que quer que seja, tento argumentar que houve certos periodos da historia que me levaram a nao gostar da forma como a Igreja Catolica tratava os seus fiéis, e que ainda nao conhecia a fundo os fundamentos Cristãos (leia-se a Biblia), bem como gostava de ler o Corão e outros livros de outras religioes. Até ao momento estou fascinado pela forma como os antigos Egipcios interpretavam a religião e de que forma adoravam os seus deuses, e aceitavam os dos outros, coisa que as "novas" religioes nao aceitam.

Para mim neste momento a religiao é um negocio: tive oportunidade de ouvir a missa no domingo, transmitida algures de Paris, em portugues, pela Radio Alfa (curiosamente o padre tinha aquela caracteristica que todos os padres têm, que é um xotaque beirao), e ele numa frase sintetizou tudo o que escrevi: "a lei da fé é acreditar sem ter visto"...
Mais palavras para quê?



Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

quarta-feira, abril 14, 2004

HISTORIA INTERESSANTE - O JAMES BOND DOS TEMPOS MODERNOS (?)

Estava eu a ler um dos jornais que aqui é disponibilizado gratuitamente nas escolas e residências universitarias (Le Figaro, Liberation, Tribune, Le Monde), neste caso o Le Figaro, e deparo-me com uma historia curiosa, em forma de editorial. Esta historia aconteceu mesmo e teve lugar no Canadà. Aqui vai uma traduçao livre do texto:

"Raymond Sobesk, um canadiano de 47 anos de Toronto, ganhou 30 milhoes de dolares canadianos (18,8 milhoes de euros), o maior prémio de sempre do Canadà no Loto. O caso nao seria unico nao fosse a esperteza deste senhor: em vez de se deixar levar pela loucura do novo riquismo, a ninguém disse da sua nova fortuna, somente guardou o boletim ganhador num cofre forte de um banco.
A semana passada, quando faltavam 12 dias para terminar o prazo de validade do bilhete, e consequente anulaçao do prémio, ele comparece junto ao guichet para o reclamar.
- Foi a primeira vez que um vencedor esperou tanto tempo; nos pensavamos que o bilhete se tinha perdido! - explicou Kathy Pittman, porta-voz da Ontario Gaming and Lottery. - Como pode alguém guardar um bilhete assim tanto tempo? - questiona ela.
Durante este tempo ele nao esteve parado: consultou experts financeiros, juristas, banqueiros, para se permitir gerir o seu pé de meia como um profissional. Sem duvida precavendo-se da sorte funesta de muitos ganhadores que, em pouco tempo, perdem toda a sua fortuna. Satisfazem caprichos, sonhos antigos e dos novos amigos - adormecem no ouro e acordam na palha! Alguns nao suportam a passagem da infinita riqueza ao zero e poem fim aos seus dias. Porém este vencedor foi prudentissimo, segundo contou à imprensa apos levantar o prémio - nem à mulher nem aos parentes contou, nem dispensou menos atençao ao seu trabalho, continuando como se nada se tivesse passado.
Ninguém se apercebeu de nada na empresa, ele continuou meticuloso: um observador atento pode simplesmente referir que ele deixara em ordem o seu trabalho para o seu sucessor.
- Pensei que seria do meu interesse guardar para mim até que tivesse tratado de tudo. - Ele nem sequer faz referencia aos juros perdidos por ter o capital imobilizado durante um ano; possivelmente foi calculado, concluindo que perderia menos do que se se lançasse em despesas inuteis. Hoje nao se define como milionario, simplesmente como um . Feliz sim, mas desempregado!... a sorte protege os audazes, mas acolhe também os prudentes e os modestos!"

Achei esta historia interessante e resolvi publicà-la no meu blog. Esta postura abre bastantes discussoes, como quantas pessoas seriam capazes de fazer o que ele fez. Para mim, neste momento, se ganhasse um prémio no Loto aqui em Paris acho que nao conseguiria guardar durante tanto tempo, levantaria o prémio para poder estar mais à vontade no dia-a-dia, mas serà que gastaria todo?
E a questao de conseguir guardar um segredo destes de toda a gente? Quem vai confiar agora nele atendendo a esta demonstraçao de puro sangue frio tipico de um James Bond?



Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

terça-feira, abril 13, 2004

Sabem o que fazem os jogadores do benfica e do sporting depois de ganharem a
super liga, a liga dos campeões e a taça uefa?



Desligam a Playstation!



Não consegui resistir!!!

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

sexta-feira, abril 09, 2004

Pàtria, por Miguel Torga

"Serra!
E qualquer coisa dentro de mim se acalma...
Qualquer coisa profunda e dolorida,
Traída,
Feita de terra
E alma.

Uma paz de falcão na sua altura
A medir as fronteiras:
- Sob a garra dos pés a fraga dura,
E o bico a bicar estrelas verdadeiras... "

Ha alturas em que nos sentimos assim.
Forte abraço para todos, e beijos para todas!

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

segunda-feira, abril 05, 2004

Paris rima com Patins, algàlia com o Asterix (?)

Paris com sol é uma cidade que se transcende. Resplandece, aparece, move-se. Ao sabado anda-se nas ruas a fazer as ultimas compras da semana; ao domingo a cidade cede o seu espaço aos transeuntes, habitantes ou nao, turistas, viajantes, passeantes.
Aos domingos grande parte do comércio està fechado, exceptuando-se grandes multinacionais com nome de ar condicionado, com nome de virgem ou com cara de palhaço, e os cinemas, teatros, museus. No primeiro domingo de cada mês ha museus que têm as suas portas abertas para a populaçao, como o Louvre; as marginais junto ao Sena estao abertas aos peoes, de bicicleta, a pé ou de patins, para poderem contemplar um local bonito e digno de passeio, com homens, mulheres e crianças a passear, às centenas ou mesmo milhares; ouvem-se varios idiomas, desde o frances, espanhol, ingles, japones, espanhol, espanhol, espanhol.

Ja deu para perceber o porquê dos patins: porque Paris é uma cidade optima para quem se desloca de patins ou velocipede, com varios parques, jardins e passeios preparados com zonas para velocipedes, estando tambem os semaforos servidos por uma passadeira velocipédica. Agora porquê a algalia?

Porque simplesmente Paris é grande, enorme. Qualquer pequeno passeio torna-se um grande passeio, muitas horas de pé, a percorrer ou parado. Cansa, faz sede, leva-se ou compra-se àgua, bebe-se, quanto mais se bebe mais vontade se tem de beber, bebe-se.
Ora a natureza tem destas coisas e, pelo ciclo natural, o que entra em cima é digerido, transformado, e o que nao interessa é rejeitado - a urina! - Para isso ha as "toilettes", bem assinaladas nos locais publicos, com varias setas, muitas delas em circulos, como que a obrigar a uma procura intensiva, ansiando nao encharcar as calças e sapatos com o vil liquido quente-amarelado. Quando entramos deparamos com um torniquete e uma preta (até agora ainda nao vi de outra cor) que interpelamos sobre o preço da mija.
Ai o caso varia: ja vi a 30, a 40 e a 50 cêntimos. Para urinol, claro està! O melhor serviço foi junto à Torre Eiffel, cujos 40Cents permitiram o lavar de maos com àgua quente, aliàs, fervente. Nos outros primou pela normalidade. O ridiculo foi, num desses locais, ter visto uma senhora aflita a berrar com a preta (perdoem-me os leitores mais afoitos, que nao apreciam que distinga o elemento de raça negra, castanho, africano, diferente, como preferem chamar, como preto. Para as outras "raças" nos nao somos rosa mas brancos por isso para quê especificar?) e olhei para o valor a inserir na maquina para que o torniquete rodasse: nada mais nada menos do que 0.41€! De tao cruel chega a ter piada (acrescente-se humor negro!). E o pior é que a senhora que la trabalhava (a preta que me referi) disse nao ter troco de 5cents, pelo que a senhora, para dar descanço à bexiga e ordenar a sua mija numa sentina ja usada por milhoes de frequentadores, teria de desembolsar 0.45€ nao recebendo chavo de troco.

Como diria o Fernando Pessa: "E esta, hein?!"

Repararao, com certeza, em caso de visita, que as escadas de acesso e rampas às margens do Sena, e algumas escadas do métro apresentam o cheiro acre de milhares de litros de urina humana despejada nos referidos espaços

Proximo Post: Ir ao Louvre no primeiro domingo do mês, ou "Serà que estou em Espanha?!"

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

sexta-feira, abril 02, 2004

"Eu vi a buganvilia..." na Radio Alfa


A grande radio alfa continua a surpreender-me a cada dia que passa. Entre musicas declaradamente de conteudo esquerdista e baladeiro, que até aprecio, a musicas do Tony Carreira cantadas em frances, a uma musica com uma palavra nunca antes vista... se o Nuno Markl acha que a Dina é a unica pessoa que conseguiu inserir o fruto "abrunho" numa musica, houve alguem que conseguiu inserir "buganvilia"! Parece dificil, mas o conteudo até é interessante, parece uma declamaçao de um poema (se calhar até é e eu nao conheço!)

Ontem, dia 1 de Abril, a grande mentira da Radio foi a seguinte: Deco acabava de assinar pelo PSG e em troca de dinheiro também ia um jogador do Créteil/Lusitanos que nem era muito utilizado. Para quem esta fora de Portugal até pode parecer credivel, mas para quem saiu à um mês esta a anos luz da credibilidade! Também ontem num dos meus passeios noturnos pela Cité U, que costumo sempre fazer quando janto mais tarde e fico cheio como uma mula, iam a entrar três tipos, carregados que nem burros, e um deles, talvez a pensar que ninguem o perceberia no meio daquele mundo, disse: " e agora onde estamos e onde fica aquela merda?", ao que eu me virei, com um sorriso, e disse: " Malta de Portugal!".
Estavam à procura da Casa de Portugal, indiquei gentilmente o caminho e fui para a minha residencia que ja se fazia tarde!
Entretanto lembrei-me de mais um grupo para pedir ao Joao: Yellow W Van! - Isto foi so um aparte. Continuando!

Durante a noite é quando passa melhor musica, mais calma, anti stress, algumas de cariz fortemente interventivo (como exemplo dou uma das que mais gosto: "eu nao quero esse amanha" do Fernando Girao), e muitas de baladeiros. Ao fim de semana, que foi a unica ocasiao que consegui ouvir, ha um programa de musica tradicional portuguesa, entre as 5 e as 7 da madrugada, em que o locutor tem todos os sotaques possiveis e imaginarios em Portugal: do norte, das beiras, de padre, dos Açores e Madeira, e um leve sotaque afrancesado! Um primor! Se puderem ouvir online aconselho porque é HILARIANTE!!!

Bem, hoje vou a uma festa, a primeira desde que aqui estou, e ja fez um mes. Resta-me agradecer a todos quantos se lembraram de mim na quarta e quinta-feira, e a todos os que nao se lembraram eu nao levo a mal, nem sempre nos podemos lembrar de tudo! Espero é que bebam um copo por mim um dia destes!

Estao a mandar-me embora da sala, paciencia!
Escreverei mais para a proxima.
Para saberem mais da Cité U podem ir ao site: www.ciup.fr

Proximo tema: porque trazer patins e algàlia para Paris?

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

quarta-feira, março 31, 2004

Quando estamos apaixonados é frequente associarmos esse sentimento a certas letras ou musicas que, por serem bonitas, apelam ao sentimento reinante. Por muitas vezes se chamar à atençao de letras mais ou menos complicadas, deste ou daquele grupo mais conhecido, com esta ou aquela etiqueta musical, ouvi no outro dia na Radio Alfa (www.radioalfa.net) de Paris uma musica que nao ouvia à muito tempo, e que relata o primeiro amor, o amor adolescente.
Achei que caberia nesta categoria e que, apesar de haver muita gente que acha parola ou pingonheira, aprecio muito a facilidade musical deste compositor ja desaparecido. Atentem, entao, na letra:


"Carlos Paiao - Cinderela

Eles são duas crianças a viver esperanças, a saber sorrir.
Ela tem cabelos louros, ele tem tesouros para repartir.
Numa outra brincadeira passam mesmo à beira sempre sem falar.
Uns olhares envergonhados e são namorados sem ninguém pensar.


Foram juntos outro dia, como por magia, no autocarro, em pé.
Ele lá lhe disse, a medo: "O meu nome é Pedro e o teu qual é?"
Ela corou um pouquinho e respondeu baixinho: "Sou a Cinderela".
Quando a noite o envolveu ele adormeceu e sonhou com ela...

[Refrão]
Então,
Bate, bate coração
Louco, louco de ilusão
A idade assim não tem valor.
Crescer,
vai dar tempo p'ra aprender,
Vai dar jeito p'ra viver
O teu primeiro amor.

Cinderela das histórias a avivar memórias, a deixar mistério
Já o fez andar na lua, no meio da rua e a chover a sério.

Ela, quando lá o viu, encharcado e frio, quase o abraçou.
Com a cara assim molhada ninguém deu por nada, ele atéchorou...

[Refrão]

E agora, nos recreios, dão os seus passeios, fazem muitos planos.
E dividem a merenda, tal como uma prenda que se dá nos anos.

E, num desses momentos, houve sentimentos a falar por si.
Ele pegou na mão dela: "Sabes Cinderela, eu gosto de ti..."

Autor: Carlos Paião

Para mais letras musicais, ou poesias de autoria propria, aconselho a visitar www.enjohnny.blogspot.com, que é o blog na pessoa de Joao Pedro Campos ( e que é meu mano, lol). Nao é publicidade familiar, o puto tem jeito! Puto como quem diz, ja tem pelos na venta... vai fazer 21 aninhos... enfim!


Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

terça-feira, março 30, 2004

DOMINGO NO MUNDO

Aos sabados e domingos nao ha muito que se faça por estes lados. Haver ha, mas o acordar cedo ja basta à semana, ao fim de semana sabe bem ficar um pouco mais na cama. Por aqui as festas sao caras como o catano, e o bolso do portuga nao aguenta esses preços, se bem que a de sabado nem era cara, na Casa da Alemanha, mas pagar 5€ e ainda ter de pagar consumos a 1 e 2€ (que, vendo bem, até nem sao consumos caros...), fica para outro dia. Nesta sexta à festa na minha residencia, com mais umas quantas, e a essa eu vou, é por isso que estou a guardar o dinheiro! Afinal nao se faz anos todos os dias e digamos que é uma prenda.
Assim aconteceu que, neste domingo primaveril, com temperaturas negativas no começo da manha, e primaveris durante a tarde (mercurio nos 17°), decidi ir passear ao sol. Antes disso aproveitei o sol e tomei um café na cafetaria da Cité U, que me custou 0.90€ e nao era grande coisa, mas para se beber bom café nao se vem a França; estive um pouco la sentado, onde tirei umas fotos ao magnifico espaço relvado em frente à esplanada (que enviarei a quem tem a sorte/azar de me conhecer) e fiquei a ler um pouco, com o sol e os murmurios de gente vizinha, de passeantes com as suas trotinetes e patins.
A seguir apanhei o RER (os franceses nao lêem as siglas como nos, ditam-nas, o que faz com que digam "érre, e (mudo, como eles o dizem), érre"... e atençao que eles pronunciam o érre à panasca e nao à homem rude, do campo! Enfim.) e estava para me deslocar até Port Royal, onde o Pimentao disse que tinha um estudio (suponho que de pintura). Mas ir asim para a rua e perder o maravilhoso sol e nao ver ninguem a nao ser os passeantes de rua?
Decidi ir até Notre Dame, onde os gargulas sao goblins: la ha "turistame", essa massa maravilhosa que nao fala frances, mas que fala na sua maioria em castelhano. Foi o que me fez ter o primeiro pensamento da tarde: ali à minha volta devia haver pelo menos um milhar de castelhanos, ou nativos falantes da lingua de Cervantes... mas quanto Tuga andaria la em turismo? A passear a penantes? Que nao estivesse em lua de mel? Segundo os meus calculos uns 3, 4 a contar comigo. Mas eu sou "habitante", porque vou ter residencia fixa durante uns meses, o que faz de mim um ser proximo do emigrante e longe do turista, mas nem uma coisa nem outra: falta-me o bigode, sotaque do norte e preferencia pelo benfica. Enfim numero 2.
Descobri um mundo novo nas zonas mais turisticas: naqueles viadutos que ligam à Ilha se S. Luis (penso que é assim que se chama) onde se situa Notre Dame, o transito està fechado e so la circulam "piétons" que é como os franceses chamam aos pioes; isso da azo a que artistas e "artistas" façam pela vida com performances ao vivo, sejam palhaços, musicos ou malabaristas.
Desloquei-me sem rumo e fui levado (nao por extra-terrestres, mas havia-os la que eu vi com a minha visao topa extra-terrestres, benfiquistas e pêras) instintivamente pelas margens do Sena, junto aos Bateaux Mouche, ou como lhes chamam: uma treta papa dinheiro ao estupido do turista que paga 7.50€ para la andar uma tarde naquela trampa, à volta daquelas "ilhotas" do Sena, com uma gaja a debitar a historia em varias linguas (frances, ingles e espanhol!), e a pagar um dia inteiro. Bem vi os camones a pagar por um dia quando so la iam andar até às 18:30... ja eram 17 horas... patos!
Curiosamente tambem ha patos no Sena, por entre os barcos e o lixo. Assim constatei que naquela marginal, tambem fechada ao transito até perto das 18 horas, passeiam milhares de pessoas (é verdade, milhares! parecem as formigas nas praias do Algarve em pleno agosto!), maioria delas de patins, em linha ou tradicionais, de bicicleta, ou a pé como eu. Parece ser tao divertido andar ali de patins que da vontade de o fazer, mas tendo em conta o transito pedonal, e a minha inabilidade para travar com patins, penso que é melhor para a segurança publica que nao o faça.
Tentei tirar umas fotos a patinadores, mas como sabem, as maquinas digitais demoram uns segundos a fotografar e conseguiram apanhar o momento em que nao passava nenhum patinador! Mas acho que la ha uma bonitinha, mas nao tenho a certeza.
Foi assim o meu domingo! Resta dizer que fui até a Place de Concorde, junto ao Obelisco Egipcio, proximo do fundo dos Champs Elysées e junto da entrada do Jardin des Tuilieres, que da acesso ao Louvre.
Apreciei ver o cuidado que, aos domingos quando a maioria do comercio esta fechado (sao obrigados por lei a fechar um dia por semana), a cidade fecha ruas ao transito para que as pessoas (turistas, habitantes) tenham a cidade por sua conta e possam aproveitar o sol junto ao rio, passear por jardins, ruas, pontes, sem terem de estar a ouvir buzinas, ou atentas a semaforos (sim, porque aqui ninguem respeita passadeiras!). é um cuidado que devia haver em muitas cidades portuguesas, que dedicam um dia do ano à treta do dia mundial sem carros - pura fachada à portuguesa!
Para a semana vou aproveitar que é o primeiro domingo do mês e vou ao Louvre, que é de borla! Mas nao vou ver o museu todo, mas as zonas que me interessam realmente: é um pouco estupido ir ao Louvre e ter 0.25 segundos para ver cada quadro ou artefacto para se dizer que se viu o Louvre e a Mona Lisa! Alem disso vou ca estar pelo menos mais dois primeiros domingos do mes!
Cumprimentos!

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

sexta-feira, março 26, 2004

NOTRE DAME? GARGULAS E GOBLINS

Pois é, o Spielberg sabia-o e tentou dize-lo aos especialistas judeus paranormais do Caucaso, mas estes nao perceberam, ou fingiram que nao perceberam: os Goblins, bichos fofinhos como ursos que apos levarem um banho ficam monstros (assim tipo manchester apos o banho de bola do FCP), sao as famosas gargulas da corcunda do Notre-Dame.
A sorte dos franceses é que, graças aos imperadores da marca Napoleao, a França tomou partido dos varios roubos arqueologicos, tendo salvo a vida a milhares de milhoes de franceses de morrerem estrangulados.
E como fizeram isso? Pois bem: com a cabeça da gaja grega das cobras na cabeça! Eles tem-na escondida mas nao dizem nada a ninguem, e com isso transformaram os goblins em pedra e meteram-nos escondidinhos no vasto monumento Notre-Damesco, assim como ninguem quer a coisa.
Agora percebem o porque da lei anti-veu nas escolas publicas francesas! Eu explico: a cabeça com cobras desapareceu, e eles acham que foi a Al-Qaeda porque cada vez que o Bin-Laden aparece na TV, a sombra por tras dele assemelha-se a uma cabeça cheia de cobras. Como os muçulmanos andam com véus na cabeça, a ideia deles é que, vendo as cabeças de potenciais crianças transportadoras de cobras na pinha, podem prevenir atentados de transformar ministros em pedra.
Salva-se assim Paris que ja tem estatuas em barda, e muitas delas nem tem a dignidade de apresentar um cavalo!

Depois dizem que ah, e tal, e nao sei quê.

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

segunda-feira, março 22, 2004

Como disse no ultimo post, este é (seria) sobre o facto de ter descoberto que as gàrgulas de Notre-Dame sao Goblins, e do porque dos franceses pensarem grande e nos pequenino... mas isso tem tempo, muito tempo.
O que me propoe hoje é muito mais sério, e deixo um pouco de lado a brincadeira ou a observaçao que tenho feito ao longo das ultimas semanas, para me debruçar, se a minha opiniao conta para alguma coisa, nos ultimos desenvolvimentos do mundo.

TODOS QUEREMOS MUDAR O MUNDO E TORNA-LO UM LUGAR MELHOR PARA VIVER, ATE AO DIA EM QUE VEMOS QUE E IMPOSSIVEL...

Algures em Timor-Leste, antes da (re)independencia da Indonésia:
A guerrilha timorense, FALINTIL, comandada por Xanana Gusmao, faz um ataque a uma coluna do exército indonesio. Resultado: alguns mortos indonésios, e armas roubadas. Os guerrilheiros escondem-se nas montanhas. - TERRORISTAS (?)

Algures no Pais Basco, na época de Franco:
Membros da ETA matam a tiro um dos lideres da policia basca de Bilbau, que liderava as torturas a ex membros condenados da ETA e seus familiares. Resultado: 1 morto, o tal lider da policia. - TERRORISTAS (!)

Algures na Cisjordania, hoje de manha:
Tres helicopeteros israelistas lançam um missil cada contra a mesquita de onde saia o lider do Hamas, apos as suas oraçoes matinais, despedaçando o individuo. Resultado: cerca de 17 mortos e feridos, incluindo o lider do Hamas, completamente despedaçado. - DEFESA DO ESTADO (?!)

Qual é a diferença entre estes 3 casos? Legitimidade? Crença? Excesso de poder de uns e de intolerancia outros?
Como se pode matar assim, usando misseis, uma pessoa sem qualquer tipo de julgamento, so porque ele era lider de um grupo de terroristas?
Para os iraquianos o George W. Bush tambem é terrorista, mas eles nao tem misseis para o matar; para os palestinianos que estao em campos de concentraçao na Faixa de Gaza, na Cisjordania ou seja onde for, os Israelitas tambem sao terroristas, mas nao tem misseis para os matar...
Nao estou a querer desculpar essas pessoas que se enchem de bombas e matam indiscriminadamente, ou compreender aqueles que sem razao aparente (so pelo facto de estarem presentes no Iraque, conjuntamente com os americanos) colocam bombas em comboios e matam centenas de inocentes; estou a alertar que os terroristas nao sao so os arabes, ou os tchetchenos. Qualquer um que julgue outra pessoa e aja sem lhe dar hipotese de resposta é, à sua escala, um terrorista; nao se pode matar indiscriminadamente quem dizemos que é criminoso, e mata-lo sem defesa, so porque ele matou os nossos - estamos a alinhar pelo seu jogo, pela sua forma de combater, logo nada nos distingue dele - nem educaçao, nem religiao, nem higiene ou lingua.

Sei que muitas pessoas nao concordam com palavra do que aqui escrevi, mas é a minha forma de ser e nao vou deixar de ser assim so porque se rotulam uns disto e outros daquilo. Para mim terrorismo é o que fizeram em Nova Iorque ou em Madrid: matar indiscriminadamente e sem razao aparente, so porque nao acham bem uma qualquer atitude! Esses sim, sao mercenarios, sao terroristas. Chamar de terrorista quem ve como unica forma de vingança ou de justiça encher-se de bombas e matar aqueles que, dizem-se legitimados, mataram toda a nossa familia é uma situaçao de desespero. Se lhes dessem oportunidade muitos deles tentariam a justiça pelos tribunais e nao pelas proprias maos, que é a unica forma que tem de serem ouvidos, porque para o mundo qualquer um vindo dessa proveniencia é um terrorista em potencia!

Gostaria que me enviassem os vossos comentarios pelo e-mail presente no blog, que aqui deixo: paulo.aroso@zmail.pt

P.S.: Aqui em Paris as pessoas estao aterrorizadas com a ideia de um atentado nos metros e comboios; ontem entrei num comboio e duas espanholas que se sentaram junto de mim estavam a comentar (entre outras coisas que nao comentariam se soubessem que eu compreendia o que diziam, lol) que ao entrar no comboio estavam a avisar pelos altifalantes do perigo real de atentados naquele domingo, para as pessoas serem cautelosas e para alertarem para algo ou alguem suspeito. Vi, ao passar pelas estaçoes e mais tarde, pelas ruas, varias pessoas a serem encostadas às paredes e serem revistadas por policias que, de aspecto, pareciam o equivalente ao corpo de intervençao. Olhei para quem era revistado: pretos, miudos de aspecto alternativo, com ar de arabes, ou daquela malta chamada "sem eira nem beira", que fuma uns charros, anda sempre de mochila e vestidos maltrapilhamente. Eu, o portugues provinciano, que nunca viu nada disso e veio de uma cidade onde o maior terrorismo sao os preços de habitaçao ou os consumos minimos nas discotecas, andava pelas estaçoes e pelas ruas como se nada fosse comigo... e porquê?
Se vou ficar aterrorizado nao saio de casa, tenho medo de andar nas ruas, no metro, no comboio. Se tiver de acontecer alguma coisa pode ser junto de mim como a quilometros de distancia... e jà agora: qual é a vossa noçao de pessoa suspeita? Um preto? Um arabe ou muçulmano? Um mendigo?
E eu, serei suspeito para eles?

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

quarta-feira, março 17, 2004

PARIS - PARTE II
"... queria dedicar esta musica à minha mulher,
que fizemos ontem 30 anos de marriàge..."
Discos pedidos, Radio Alfa (www.radioalfa.net)

Agora esta tempo de primavera, o que até é bem vindo. Muito bem vindo atendendo que na semana passada estava um frio desgraçado e até chegou a nevar... nao muito que deixasse tudo branco, mas uns simples fiapos de neve que, ve-la cair do céu era bonito; bonito e triste porque Paris com chuva ou céu cinzento é uma cidade deprimente, as pessoas sao deprimentes, até o frances soa mal aos ouvidos.
Com sol e tempo quente tudo muda: as caras sorriem e parecem mais alegres, as francesas mostram que afinal nao sao aqueles pauzinhos de virar tripa e cara borbulhenta que aparentam, com roupas largas e a andar timidamente cosidas com as paredes. Desabrocham como a primavera, vestem-se de cores garridas, mostram sorrisos, decotes, pernas; sabem-se arranjar e parecer atraentes mesmo que nao o sejam assim tanto! é um prazer passear assim pelas ruas e pelo metro!
A Radio Alfa continua a dar o seu show, ora boa musica (portuguesa, brasileira, jazz blues rock pop) ora chega aos discos pedidos e parte-se a loiça toda: so parolada, desde o hino do benfica em fado (!), até a todos os sucessos de Dino Meira, Emanuel e Quim Barreiros! Acreditem que ouvir Tony Carreira até desempana os ouvidos porque as musicas dele, ao lado das dos outros, é pura alegria e composiçao musical!!! Mas ao menos ouve-se falar em portugues, o que aqui é coisa rara. Ao fim de semana ainda se ouve no metro, ou aqui e ali, umas palavras timidas de portugues, mas com muitas palavras misturadas de frances: os imigrantes aqui, os mais velhotes pelo menos, tem uma linguagem à parte, em que usam o vocabulario de Camoes e umas palavras francesas ditas à boa maneira portuguesa (o exemplo pubela para poubelle, que quer dizer caixote do lixo, é o que salta mais à vista), tornam dificil entender o que se fala.
Isso e os franceses a falar entre eles é muito complicado de perceber... parece que estou num pais estrangeiro, o que por acaso até estou, e que nao percebo patavina da lingua deles! Mas seria pior na alemanha ;)
Como disse Paris com sol transforma-se e torna-se cosmopolita: é ver-se pessoas a passear nos jardins, a sentarem-se e deitarem-se nos relvados e nos bancos de jardim, é falar com desconhecidos e de vez em quando mostrarem um belo sorriso a desconhecidos; é olhares timidos no metro e pessoas a ler livros e jornais nas ruas e transportes. O transito é que é o mesmo, que desde as 7:30 da manha que hà 150km de filas à volta de Paris! Por isso é melhor deixar o carro em casa!
A possibilidade de ver o Porto em Lyon torna-se baça, pois nao so os bilhetes devem ser carissimos, como a viagem de comboio para là, que ainda é longe, tambem é cara, mais do que de aviao (consultem este site: www.easyjet.com e vejam com os vossos olhos!), mas bem que me aprazia ver tal jogo... pelo menos vai ser facil ve-lo na televisao, e descobri 2 bares franco-portugueses numa rua por tras da Residencia, o que deixa tudo mais facil.
Tenho que voltar ao trabalho, estou na hora de almoço, e aqui estamos com uma hora a mais do que em Portugal, o que nos coloca uma hora no futuro, ou nao. Alem disso cheguei atrasado porque houve uns espertalhoes que acharam piada ao atentado em Madrid e andam a pedir resgates à policia e governo frances, ameaçando que explodem com comboios... agora que a policia esta a vigiar todas as estaçoes de A a Z! Deve ser facil, mas todo o cuidado é pouco.
Ja alguma vez pensaram porque Portugal nunca é falado para atentados, a nao ser pelo Correio da Manha, ou pela oposiçao? Até da Polonia se fala vivamente, mas nao de Portugal... imaginam porquê?
Pequena pista: alguma coisa se faz a horas em Portugal?

PROXIMO POST VOU DISCORRER SOBRE O PORQUE DE SERMOS PEQUENOS E DE A FRANçA (SE ACHAR) GRANDE! (e do facto de ter descoberto que as gàrgulas do Notre-Dame sao, na verdade, Goblins!)

Cumprimentos!

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

sexta-feira, março 12, 2004

"... queria dedicar esta musica ao meu sogro, também conhecido por Zé do Pau, à minha esposa, também conhecida pela Morcega..."
Extracto da Rubrica de Discos Pedidos, Radio Alpha, Paris.

PARIS A CIDADE TIPO E TAL E NAO SEI QUÊ...

Paris tem muita gente, muita gente e toda diferente. é um bocado como muitos homens regisconta, mas tambem no feminino; gente maluca também hà e em barda, que é o mesmo que dizer "estes franceses são doidos". No entanto é uma cidade interessante para se viver, como acho que todas as grandes cidades o são.
Tenho a sorte de viver relativamente perto do centro da cidade, ou melhor, nao viver muito na periferia. A Cité Universitaire, onde resido na residência universitaria da Universidade que me acolhe, é um local fantastico, sendo um terreno de 40 hectares onde foram implantados diversos edificios (a maioria com forma de palacete antigo) desde 1920, mais coisa menos coisa; quase todas as residências sao internacionais, excepto onde eu estou, que tambem tem franceses. Assim temos, das que me lembro, as residências de: Brasil, Portugal, Noruega, Tunisia, Suécia, Japao, Cambodja, Libano, EUA, Suiça, Argentina... e mais algumas, bem como algumas fundaçoes, como a franco-alemã, e outras com nomes de pessoas.
Para ir para a Universidade basta-me apanhar o RER B; que é uma especie de comboio suburbano, e que ha pelo menos uns 5 deste tipo, sendo que passam comboios destes de um lado e outro com uma periodicidade de cerca de 7 minutos; entro na Cité, saio na seguinte (Denfert Rochereau) onde apanho a linha 6 do Metro (Etoile - Nation), saindo na Place d'Italie, um percurso de uns 7 minutos. Depois mais 5 minutos a pé e estou na ENSAM - cerca de 15 minutos da Residencia até ao local de "trabalho".
Quanto ao resto é uma cidade enorme. Ja vi alguns dos monumentos mais emblematicos mas ainda não os visitei por dentro, pois isso paga-se, e bem. Alias acho que aqui não hà nada que não se pague, e é quase tudo caro! Se não vejamos: havera alguma palavra em frances para "barato"? Não, para se dizer algo proximo é preciso dizer "menos caro", o que implica que eles nao conhecem o conceito de barato. Logico, nao é?
Os transportes sao algo de fantastico, nao so o metro e o RER, como os autocarros, todos modernos, com um painel electronico a dizer a proxima paragem e qual a rua que esta a passar, e com uma camara de vigiläncia. Mesmo assim convém ter-se sempre um mapa à mão com as linhas de metro e autocarro, para se poder escolher alternativas, marcar encontros, etc. é que marcar em determinado sitio a determinada hora, por exemplo meia noite no coreto, pode redundar em fracasso, porque é tanta gente e muitas parecidas, que se torna complicado encontrar a pessoa!
No outro dia cairam uns fiapos de neve mas não o suficiente para durar e pintar tudo de branco, mas foi bonito de ver. No entanto ver que aqui estão temperaturas entre os 0 e os 5 graus, e ouvir na fantàstica Radio Alpha que em Coimbra estao 13 a 18, é um pouco frustrante, mas chegarà a minha hora de voltar.
A segunda lingua que mais ouço aqui é o castelhano! Em quase todo o lado se ouve falar e castelhano... arabe tambem um pouco, mas nao é tanto como isso, até porque a maioria dos arabes veem de paises francofonos e tambem falam frances; no outro dia ia com outros Erasmus no autocarro, eles a falar entre eles em espanhol porque eram todos espanhois, e queriam ver os jogos da Champions League, logo uma senhora lhes falou em bom castelhano onde poderiam encontrar cafés espanhois...
Enfim, apesar de aqui haver muitos portugueses, até agora so ouvi uma vez falar portugues no RER, o fim de semana passado, mas fiquei tao contente quanto petrificado, porque nao fui capaz de me meter na conversa; surpresa foi quando fui tratar da minha conta bancaria no Crédit Lyonnais (obrigatorio pela Residencia para fazer pagamentos), a minha gestora de conta é filha de portugueses, tendo nascido em Moçambique! Foi bom ouvir e falar um pouco da nossa lingua naquela altura, porque jà estava a sentir a falta (foi na primeira semana, em que so tinha sintonizado uma radio que so dava musica francesa a todàodà hora!)

Bem, isto ja vai longo, e continuara... mas nao agora.
Até à proxima!

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

terça-feira, março 09, 2004

DIA MUNDIAL DA MULHER

Ja que todos mandam a sua batata, e eu nem me tinha apercebido que esse dia tinha passado, vejam la o significado que eu lhe dou - o meu lado feminino é nao masculino, felizmente - vou dar a minha versao de forma muito sintética:

Acho que as mulheres sao superiores aos homens, pelo menos em capacidade. Suportam melhor a dor, a pressão, sao multifacetadas em memoria, em trabalhos manuais, nascem com um saber inato para cozinha, limpezas, tratamento de pessoas queridas, cozinha (nao estou a brincar nem a ser ironico, ou muito menos machao, é a verdade), têm uma intuiçao fora de série e fantastica, e sao mais inteligentes que nos. Agora as coisas que sao menos que nos: têm menos força. Tao so isso!
Depois ha os hibridos, que se esquecem que sao mulheres e querem ter os mesmos direitos; preferem ter quotas de mulheres por partido para eleiçoes e serem segregadas dessa forma do que ver chegar uma mulher em cem, por mérito, ao Parlamento. Esquecem-se que, sim, voces ascendem ao Parlamento e à maioria dos cargos por mérito e nao por "herança".
Nao percebo tambem qual é a parte da igualdade que elas querem com os homens... menos lojas de roupa nas ruas? entrar a pagar nas discotecas? Terem consumo minimo obrigatorio? Nao lhes darem o lugar no autocarro? Darem-lhes fortes palmadas de cumprimento nas costas? Serem apelidadas carinhosamente (como os amigos fazem uns aos outros) de putas, cabras, vacas, baleias (como nos fazemos com os cabroes, paneleiros, cornudos dos nossos amigos)? Essa parte é a que nao entendo, porque fazem manifestaçoes a pedir igualdade, exibindo orgulhosamente os seus bigodes e pilosidades sovacais com o mesmo brio que nas paradas gay eles exibem a sua roupa interior de couro e os adereços mamilares semelhantes à Janet Jackson. Para quê isto?

Nao concordo com algumas mulheres que acham o dia Internacional da Mulher como sendo um desrespeito, porque acho que as mulheres devem ser saudadas e tratadas como especiais que sao. Esse dia nao é so para tratar bem as mulheres, mas para mostrar aos mais distraidos, aqueles que têm dias marcados para tudo, que tambem existe um dia para a sua mulher. E tambem para os homossexuais terem inveja de nao terem um dia so para eles! :)

Apesar de nao me ter lembrado do dia, porque tal como no dia dos namorados ou noutros, gosto de celebrar sempre que me da vontade, e mesmo que nem sempre me lembre, o que interessa é o sentimento que lhe està junto: de validade, sinceridade, honestidade. Por baixo de todos os fisicos e sexos, os valores que nos movem sao iguais!

PROXIMA CRONICA - ESPECIAL SOBRE PARIS
Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

quarta-feira, março 03, 2004

Desde Paris, ca estou! O facto deste post nao ter acentuaçao deve-se ao maldito sistema de teclado frances, azerty, q nao so tem as teclas e atalhos todos trocados, como nao adoptou o teclado internacional.
As saudades de Coimbra e de tudo o que ai deixei sao mais do que muitas: a minha namorada, que me acompanhou ao aeroporto, e de quem foi muito dificil separar, quase deu vontade de desistir; os meus pais, a quem esta separaçao lhes custa muito e que sao ainda muito agarrados aos filhos (e nos a eles); os meus amigos, de aue sito muito a falta de companhia e de uns finos no Bossa.
Mas trata-se de uma nova etapa, que espero seja boa, que preciso de desencadear na vida, e que me permite aumentar o meu curriculo, diminuindo o facto de ainda estar na universidade. Foi um passo pensado, como todos os que tomo, e aue abracei com força a oportunidade (excepto uns momentos antes da partida, quando me despedi da minha namorada).
Mas vamos a descriçoes: o voo foi fantastico, de vez em quando houve um pouco de turbulencia mas nada de grave; passamos por cima da Serra da Estrela, cheia de neve: tirei umas fotos do aviao mas acho que nao estao nada de especial. Distingui uma grande cidade que penso ser a Covilha; se for consegui descortinar algo que devera ser o Fundao, hehehehehehe!
A aterragem foi suavissima e a chegada foi facil e intuitiva no aeroporto. Um aparte: viajaram no meu aviao duas belas moças cuja cara nao me é estranha, e que julgo serem modelos... mas nao tenho a certeza de quem sejam.
Paris tem um sistema de transportes fantastico, sai de Orly, que ainda é longe da cidade, apanhei um comboio q me levou a uma estaçao, onde pude apanhar o RER, uma especie de suburbano como ha em Lisboa para Cascais e Estoril. Esse deu-me para chegar à cidade universitària onde fiquei alojado.
A cidade universitaria é uma especie de campus so de residencias, e quase todas estrangeiras: ha a do Cambodja, Alema, Brasileira, Inglesa, Espanhola, Venezuelana, Argentina, Mexicana... uma grande variedade delas! eu estou na residencia da universidade onde estou: Maison des eleves des arts et metiers, que acho que é a unica que alberga franceses tambem.
Para sair daqui e ir para a universidade; é so apanhar o mesmo RER por uma paragem, e depois o Metro, com varias linhas e tuneis que se cruzam em andares diferentes... é fantastico! O transito aqui é infernal, ha muita variedade de pessoas: africanos e descendentes, asiaticos e descendentes... as francesas até sao bonitinhas, na sua maioria, mas ou sao esqueleticas ou fortes; sao maioria louras e de olhos verdes, mas tb ha algumas de cabelo preto e olhos verdes. As descendentes de asiaticos e de argelinos e marroquinos assemelham-se mais em parecença com as portuguesas: mesmo assim continuo a achar que as portuguesas sao das mulheres mais bonitas do mundo!
Quando tiver mais tempo e mais novidades volto a escrever.
Até là,
forte abraço desde Paris!
Paulo Aroso Campos
Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

sexta-feira, fevereiro 27, 2004

"Verdes são os campos

Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.

Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
da cor do limão
E eu das lembranças
Do meu coração.

Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.

Luís de Camões"


A falta de imaginação leva-me a evocar estes belos poemas.

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

quinta-feira, fevereiro 26, 2004

“Ao desconcerto do Mundo

Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos;
E pera mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só pera mim,
Anda o Mundo concertado.

Luís de Camões”


Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

quinta-feira, fevereiro 19, 2004

STRIPPERS E STRIPPERS...

" A lap dance is so much better
when the stripper is crying..."
Bloodhound Gang

Quantos de nós, homens, no auge das suas hormonas e vitalidade, não pensou em abordar, positivamente, um bar de strip? Habitualmente frequentados em despedidas de solteiro, estes bares juntam três dos mais importantes componentes da vida de um homem: ambiente sórdido e escuro, bebidas alcoolicas, mulheres semi-nuas, mulheres a despirem-se, e a possibilidade de ver as mulheres a despirem-se... ah, e não esquecer o perfume. A situação ideal era isto acontecer no intervalo dos jogos da Briosa, porque assim aliava-se o futebol e estava-se no paraíso!
Mas o objectivo deste "post" não é falar desses locais mas sim das diferenças do strip para o homem e para a mulher:
1º) Para os homens é strip feminino e para as mulheres é strip masculino (frequentemente!)
2º) Os homens pagam para terem uma mulher a despir-se em cima dele (lap dance, ou table dance) e não lhe pode tocar; se ela quiser tocar em nós pode, e pode ou não gozar com o facto de estarmos, ou não , entumescidos;
3º) as mulheres nem precisam de pagar para que os strippers interajam com o público (percebo a deles!), sendo que eles não têm qualquer problema em tocar nas mulheres, em qualquer parte do seu corpo, em usar as mãos delas para tocar nos seus genitais e corpo, simulam sexo com elas;
4º) muitas das nossas mulheres, ou futuras, começam a optar por essa vertente nas despedidas;
5º) quantos de nós já não ouviram, quando elas sabem que vamos a esse local, algo do tipo " Ah e tal, e não sei quê... e se lá fores nunca mais falo contigo, blábláblá, atreve-te a pagar para um lap dance, blábláblá, eu não sou suficiente, blábláblá, eu não te agrado, blábláblá, não quero que vás lá, blábláblá..." - ou seja: ficam com ciúmes.

Vejamos a lógica disto: elas são tocadas por estranhos, mesmo quando o não querem, uns gajos musculados simulam sexo com as nossas mulheres, usam as suas mãos (quando não a boca como num video que anda aí a circular pelos mails) para mexer na genitália deles que sabe-se lá aonde andou... e as mesmas mulheres que fizeram isso atrevem-se a ter ciumes de um desgraçado que paga para ficar tonto de tusa para não tocar na gaja?!, que só pode olhar e esperar que ela lhe dê uma sova com as mamas na cara para que ele possa sentir o seu corpo?! Qual é a lógica disto?
E mais: falam das strippers femininas como sendo umas putas, quando elas são pagas para pôr um homem a babar, ficar com a pila em pé dentro das calças, rebaixá-lo à condição mais animalesca típica do animal doméstico (só cagas e mijas onde e quando eu digo), tratá-lo com desprezo e abaixo de cão, fazê-lo sentir-se desejado para ele consumir mais... - não acham que elas são as heroinas de muitas feministas da nossa praça?
Se as mulheres querem igualdade de direitos, nós também queremos: pagar o mesmo nas discotecas, até porque como consumimos mais bebida vamos acabar por gastar o mesmo ou mais; ter strip como elas têm, com apalpões na masculinidade, mamas e vaginas nas nossas bocas, simulações de sexo (ou o contrário também é aplicável)!

Se é para ser igual, que seja tudo igual!

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

segunda-feira, fevereiro 16, 2004

" Tiú és iúma galeinha
amãmãnãké dá..."
Sandro G

Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

segunda-feira, fevereiro 09, 2004

Julgava que o meu cãozinho era preguiçoso e burro, no entanto toda aquela pachorrice esconde algo muito maior, que só não é uma conspiração, de tão inofensivo que se trata.
O Ringo, é esse o nome dele, é a prova de que o espiritismo e reencarnação existem! Eu explico, para que pensem que ele é a reencarnação de um qualquer BEATLE: as suas virtudes cartomânticas e a forma como hábilmente tentou alertar todos para o parto próximo de Lola, o nome que carinhosamente apelidamos a "racta" (porca da india), que estava grávida e prestes a ter os seus infantes. Ele é um Zandinga em potência, em pêlo farto (tal como a barba de tão célebre adivinho) e latidos fortes.
A sua raça e especialidade não está na força bruta das suas mandíbulas, nem na ferocidade do seu rosnar, mas sim nas suas capacidades adivinhas.
Como descobri? Boa pergunta! Como não consegue lançar os búzios, não só porque não temos, mas também porque não dá jeito nenhum pegar nos buzios com uma pata canina; como não consegue lançar as cartas e mesmo que conseguisse ninguém perceberia a sua interpretação em latidos, ele simplesmente chora com tonalidades e ladra baixinho para não importunar o paciente.
Não sou estudioso na matéria mas penso que com estudo adequado poder-se-ia descobrir a linguagem dificilima e completissima, o seu extenso vocabulário, que vai do tradicional "béu" canino a um longo e penetrante conjunto de silvos chorosos típicos dos cães, extremamente agudos.
Mestres Sani, Safé, Sirtai, Bungibirgilai, Banzé, Mafu e Mantorras esqueçam as vossas virtudes adivinhatórias, que nada são próximo deste espécime fantástico que tenho o privilégio de albergar em minha casa!

Por acaso nem me importava que ele tivesse reencarnado como BEATLE; afinal quando faltasse a luz ele poderia fazer uns concertos à guitarra...
Quanto à "Racta" Lola encontra-se bem de saúde, bem como a sua prole, composta de 3 pequenas porquinhas da india de marca... fêmea, das quais duas têm pêlo levantado e a outra tem pêlo como o da mãe, não encaracolado.

Bem Haja!
Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt

quinta-feira, fevereiro 05, 2004

Bem, devo uma explicação ao Senhor dos Blogues, afinal publiquei algo sem que tivesse nada escrito.
Pois é, na tentativa de perceber o funcionamento das coisas internéticas, que é como dizer os bastidores de tão humildes locais de fazer opinião, acabei por deixar a sanita intelectual aberta e o papel em branco.
No entanto decidi anular tal decisão mal me apercebi dela e acorri em boa hora a tão lugubre local só para deixar esta posta.
Aproveito também para um pequeno comentário no que toca ao português comum, que fica surpreendido quando uma revista de qualidade tem um título sugestivo: "Portugueses os mais pessimistas da Europa". Se visitaram o site do diário regional "As Beiras" são confrontados com uma sondagem, como é normal no seu site, sobre se achamos que a PSP está preparada para o Euro 2004. Após deixar o meu voto, sou surpreendido (ou não, porque já estava à espera...) com a maioria de respostas negativas...
Será que isso responde à surpresa sobre o título da anterior revista?
Não nos falta qualidade para a Europa, é provável que até sobre, falta-nos é mudança de atitude e auto-estima.
Portugal não é pior do que os outros países, nem nós somos piores cidadãos ou menos inteligentes, simplesmente subestimamos a nossa qualidade e assim, meus caros, não iremos sequer às meias finais.
Este torna-se a primeira comunicação que faço a falar para alguém invisivel, algo que já não tentava desde a madrugada de ano novo; a diferença está nos olhos: na altura estavam fechados com todas as minhas forças (não tive nenhuma experiencia post-mortem, se é isso que estão a perguntar), e agora estão abertos, a encarar todos os quatro que entraram no blogue, e estou, mágicamente, a teclar.
Bem haja!
Paulo Aroso Campos - paulo.aroso@zmail.pt